Assassino de Tim Lopes, Elias Maluco se mata na prisão

O traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, se matou hoje no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Ele é considerado um dos chefes do tráfico mais perversos pelo método de matar seus inimigos e desafetos. Ainda não se sabe como ele se suicidou e nem o motivo. Segundo fontes, hoje seria o dia da visita do advogado e o preso não recebeu ninguém. Ainda não há informações sobre a forma como o traficante tirou a própria vida. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), a família foi comunicada da morte pelo Serviço Social do Presídio Federal de Catanduvas e a Polícia Federal foi chamada para fazer a perícia no local.

O Rio de Janeiro já conhecia a fama do bandido no mundo do crime. Mas Elias ficou nacionalmente conhecido em 2002 pelo assassinato do jornalista Tim Lopes. Em 2 de junho de 2002, Tim Lopes, que na ocasião fazia uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em bailes funk na favela Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, foi sequestrado e levado por um grupo de traficantes liderado por Elias Maluco para a Favela da Grota no Complexo do Alemão, onde foi torturado e morto, após ter sido descoberto com uma microcâmera tentando filmar a venda de drogas no local.

De acordo com depoimentos de traficantes ligados a Elias Maluco, presos poucos dias depois pela polícia, Elias Maluco torturou o jornalista queimando seus olhos com um cigarro e esquartejou seu corpo com uma espada de samurai. Depois, o corpo do jornalista foi incinerado com pneus e gasolina numa gruta conhecida entre os locais como o “microondas”. Após intensas buscas, os restos carbonizados do corpo de Tim Lopes foram encontrados no dia 12 de junho, num cemitério clandestino da Favela da Grota.

Elias Maluco era considerado um dos maiores traficantes de drogas do Rio de Janeiro. Ele foi preso em 19 de setembro de 2002, após uma caçada humana de três meses, na sequência do assassinato do jornalista Tim Lopes, morto no mesmo ano. Integrante da facção criminosa Comando Vermelho, comandava o tráfico de drogas em trinta favelas das imediações do Complexo do Alemão e da Penha, sendo acusado pela morte de mais de 60 pessoas. Elias Maluco é, ainda, considerado como um dos responsáveis pelas ondas de violência que abalaram o Rio de Janeiro em dezembro de 2006 e em novembro de 2010.

Após uma caçada humana de três meses liderada pela cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro, a polícia lançou no dia 16 de setembro de 2002 a chamada “Operação Sufoco”, cercando o Complexo do Alemão com o objetivo de capturar Elias Maluco. Após 50 horas de cerco policial, foi capturado no dia 19 de setembro na Favela da Grota, não tendo resistido à prisão. É dele a frase, no momento da prisão, “Perdi, chefe. Só não esculacha, não”, em referência à ânsia da polícia em prendê-lo.

Elias Maluco foi condenado somente em 2005 pelo crime. Ele pegou uma pena de 28 anos e seis meses pelo assassinato do jornalista.

Outros crimes
Elias Maluco foi condenado em dezembro de 2002 a 13 anos de prisão pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas, num processo que envolvia o cantor Belo. Em 10 de novembro de 2003, foi condenado a 18 anos de prisão pela 23ª Vara Criminal do Rio de Janeiro pelos mesmos crimes no âmbito de outro processo, e em 25 de maio de 2005 foi condenado a 28,5 anos de prisão pelo 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver no caso do assassinato de Tim Lopes.

Elias Maluco ficou preso no Complexo Prisional Bangu I desde a sua detenção até 4 de janeiro de 2007, quando foi transferido para o Presídio Federal de Cantanduvas, Paraná, juntamente com outros onze chefes das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando (TC) acusados de planejar a queima de ônibus e os atentados contra delegacias e postos da Polícia Militar ocorridos no Rio de Janeiro em 28 de dezembro de 2006, que resultaram na morte de dezenove pessoas.

Após o início de uma nova onda de violência no Rio de Janeiro em 21 de novembro de 2010, Elias Maluco e Marcinho VP, que segundo o setor de inteligência da polícia teriam ordenado os ataques, foram transferidos em 25 de novembro de 2010 para a Penitenciária Federal de Porto Velho, Rondônia. Em 18 de agosto de 2011, Elias Maluco foi novamente transferido, desta vez para o Presídio Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Em 2013, ele foi sentenciado a mais 10 anos, sete meses e 15 dias de prisão, desta vez pelo crime de lavagem de dinheiro. A mulher e a sogra dele também foram condenadas pelo mesmo crime.

Desde então, Elias Maluco ficou em presídios federais de segurança máxima.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − 13 =