As dificuldades de quem usa a arte para sobreviver

Raquel Morais –

Com rosto pintado ou de cara lavada. Com claves, bolas ou uma lata de tinta. Niterói e São Gonçalo são redutos de artistas de ruas. Eles chamam atenção do público como podem, desde sinais de trânsito até muros de escolas através de pinturas, mas o que importa é passar uma única mensagem: a arte pode transformar vidas.

O piauiense Johann Bauer, de 28 anos, saiu de casa no Piauí em 2011 e, desde então, vive apenas do seu trabalho artístico com malabares do tipo clave, em várias cidades, atualmente em Niterói. Ele explica que o objetivo de trabalhar na rua é justamente não ter objetivo. “Tudo é muito efêmero e já tive vários objetivos, mas hoje em dia me deixo levar pelo destino. Tenho sonho de ir para Poços de Caldas para encontrar minha esposa e conviver com meu filho, mas viver da arte nem sempre é fácil. Tem dias que o que ganho dá para o sustento e tem dias que não. Eu acredito no poder da cultura e da arte e eu batalho diariamente para isso. As pessoas podem ver um homem jogando objetos para cima, mas eu sou além disso, eu sou um artista querendo mudar o mundo”, contou. “Nunca quis trabalhar em circo e nem em outra empresa. Eu gosto de estar na rua com contato direto com meu público, sentindo o sol e o vento. Acho que o perfil das pessoas está mudando e elas estão entendendo esse poder de transformação através das manifestações artísticas”, completou.

O artista Vinícius Medeiros, de 36 anos, mora no Jardim Miriambi, em São Gonçalo, e usa o graffiti para expressar sua arte desde 1998, quando tinha apenas 15 anos. “Eu amo fazer arte, me faz bem e me sinto feliz. Gosto de me desafiar a tentar fazer algo que eu ache difícil e tentar evoluir. O graffiti é uma arte de rua, não se vende e faço porque gosto, alguns querem passar alguma mensagem, inspirar as pessoas, colorir a rua entre outras missões. Acho que quando valorizam de verdade um trabalho, seja qual for, não fica difícil sobreviver desse trabalho”, contou.

Também é na rua que o malabarista Wellington Medeiros, de 31 anos, leva o sustento para dentro de casa há 11 anos. Ele trabalhava em uma padaria e foi mandado embora sem nenhuma justificativa. Nesse mesmo dia ela começou a treinar malabarismo com limões. “Eu fui aprendendo e aperfeiçoando e hoje me considero um artista. Viver da arte é difícil e trabalhar na rua é mais difícil ainda, mas Niterói é uma cidade diferenciada, tanto que eu moro do Rio de Janeiro e venho três vezes por semana trabalhar na cidade”, contou. O artista mora no Jacaré, na Zona Norte, e tem o sonho de cursar faculdade de Educação Física.

“Eu trabalho na rua para realizar o meu sonho. Eu quero trabalhar com esporte e com saúde. A cidade está me ajudando nesse projeto”, pontuou. Wellington frisou que na rua a ajuda vem de várias formas, desde R$ 0,10 até R$ 100, além de roupas e lanches.

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