Árvores que resistem à ocupação urbana

Um fenômeno que se repete em praticamente todos os grandes centros urbanos do país: à medida que a expansão imobiliária avança, áreas verdes das cidades vão se tornando cada vez mais escassas. No entanto, num puro ato de resistência à destruição imposta pela invasão do concreto, algumas árvores de Niterói conseguiram resistir e hoje encantam quem passa próximo de áreas como o Parque das Águas, no Centro, ou na rua Presidente Backer, em Icaraí.

Reportagem especial de A TRIBUNA foi em busca de duas dessas ilustres personagens (na verdade três, já que no caso da rua Presidente Backer, tratam-se de duas árvores) para conhecer um pouco de suas intimidades, na chuvosa manhã de sexta-feira (19).

Inicialmente, é preciso destacar que especialistas chamam atenção para a compreensão de que as práticas empresariais e de investimentos precisam considerar a preocupação com critérios de sustentabilidade. Esse é o primeiro compromisso de uma sociedade que pretende promover o desenvolvimento sustentável. Somente um planejamento urbano comprometido com a preservação de parques, lagoas, rios e áreas verdes podem garantir qualidade de vida à sua população. E esse compromisso também passa pela necessidade de preservação das árvores de nossas ruas e de nossas praças.

A maioria das pessoas que transitam no entorno do Parque das Águas, situado no Centro de Niterói, praticamente não conseguem perceber o grande eucalipto que reina soberano no ponto mais alto da área de lazer. De fato, o grande eucalipto, com cerca de 15m, fica no final do parque, já na divisa com a área pertencente a empresa Águas de Niterói. Visto de perto, o grande eucalipto pouco se destaca, uma vez que uma série de outras árvores que cresceram a sua volta, confundem a visão. Mas, é de longe que a grande árvore se destaca. Somente quando nos encontramos a uma distância considerada, é possível observar que sua copa é o ponto mais alto do parque.

Esse é um fato que passamos a conhecer quando ouvimos histórias de quem precisou ficar internado no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN). São muitos os relatos de pacientes que, diante das janelas de seus quartos, enquanto contemplavam a vida que corria no mundo exterior, por um momento, notaram a presença do grande eucalipto no alto do parque. Muitos falam que aquela visão trazia uma sensação de paz e ajudaram a trazer serenidade para suportar as longas horas de confinamento impostas pela recuperação.

Na rua Presidente Backer, em Icaraí, quem chama atenção é um par de árvores com cerca de 20m. Encravadas num pequeno espaço do corredor de concreto que se ergue ao longo da via, as duas árvores estão situadas na calçada do condomínio Matizes Icaraí, altura do nº 81. O zelador que trabalha no local garante que as árvores são tratadas como patrimônio pelos moradores do condomínio.

Entre tantas histórias envolvendo as árvores, o zelador destaca um fato inusitado, ocorrido recentemente, envolvendo um morador do condomínio e o serviço de poda de árvores da prefeitura de Niterói. Na ocasião, lembra o zelador, a prefeitura precisou executar o serviço porque os galhos das árvores estavam atingindo as janelas dos apartamentos. O problema é que um dos moradores costumava alimentar diariamente os “micos” que costumavam entrar por sua janela. Ainda de acordo com o funcionário, o morador ficou indignado com a poda e só após muita conversa conseguiu ser convencido pelos vizinhos e funcionários da prefeitura sobre a necessidade da execução do serviço, mediante os perigos que os galhos representavam.

A pequena história dessas árvores são exemplos de como Niterói precisa estar ciente de que a educação ambiental precisa ser inserida na sociedade ao ponto de ser transformada em sinônimo de cidadania, ela deve caracterizar uma nova consciência para toda população da cidade. A educação ambiental deve ser colocada em prática no dia a dia, seja nas escolas, nas ruas, no trabalho, dentro de casa. A educação pode cumprir a tarefa de garantir a todas as pessoas o direito de desfrutar de um ambiente saudável e as árvores de nossa pequena história são exemplos vivos de que esse ambiente já é uma realidade em Niterói.

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