Armas apreendidas iriam ser alugadas

Augusto Aguiar –

“Alugam-se pistolas e fuzis a preço de custo”. Parece um anúncio absurdo, mas é assim que as facções criminosos estariam atuando na cidade, alugando ou emprestando armas. Essa também seria uma das suspeitas da polícia após a grande apreensão de sexta-feira (04) de sete fuzis, cinco pistolas e uma escopeta, além de grande quantidade de munições. O arsenal, avaliado em cerca de R$ 500 mil, localizado no Barreto e destinado à comunidade do Sabão, no bairro São Lourenço, surpreendeu agentes das polícias Militar e Civil.

Pelo fato das armas serem destinadas à comunidade que tem pouco (ou quase nenhum) histórico de confronto, sobretudo com armas de grosso calibre, agentes do Serviço de Inteligência da PM e da Polícia Civil estariam checando a suspeita de que criminosos da localidade locariam armamento (armas longas e curtas) para outras quadrilhas cometerem crimes, como roubos, e até utilizarem em outras comunidades para enfrentamento com bandidos rivais. “Estamos apurando se as armas apreendidas seriam alugadas para outros criminosos. Não há relatos de intensos confrontos na Favela do Sabão. Nossa equipe de Inteligência está realizando o trabalho de levantamento sobre isso”, afirmou, na manhã de ontem, o subcomandante do 12º BPM, tenente-coronel Marçal.

De acordo com informes policiais, que estão sendo checados, o armamento (fuzis calibres 5.56, 7.62, pistolas e munições) seria destinado a criminosos ligados aos líderes da venda de drogas na comunidade, conhecidos como Moedinha e Cabeça, que já estão presos. A polícia chegou ao arsenal depois de uma denúncia anônima e encontrou as armas dentro de táxi estacionado em um condomínio na Rua Luiz Palmier, no Barreto.
“Eles (traficantes) poderiam invadir alguma comunidade, mas acredito que eles estavam escondendo o armamento fora do morro. Muitas vezes eles usam pessoas que não chamam atenção para guardar objetos de muito valor, como esse arsenal apreendido”, explicou o titular da 76ª DP, delegado Gláucio Paz. Cada fuzil apreendido foi avaliado em cerca de R$ 60 mil. “Temos que deixar claro que hoje tiramos de circulação um armamento que poderia ser usado contra a população de forma violenta”, frisou o comandante do 12º BPM, coronel Márcio Rocha.

Há menos de dois anos, o Ministério Público (MP-RJ) denunciou 25 pessoas por envolvimento com o tráfico de drogas no Morro do Estado, por associação para o tráfico e por tráfico de entorpecentes. Na ocasião, a 4ª Promotoria de Justiça e Investigação Penal da 2ª Central de Inquéritos pediu a decretação da Prisão Preventiva de integrantes da facção criminosa, que controla a venda de drogas nos morros Boavista e Favela do Sabão (bairro São Lourenço) Palácio (Ingá). Segundo a denúncia, Carlos Vinicius Lírio da Silva, o Cabeça, e Celso Vinicius Flores Menezes, o Moedinha, comandavam as ações criminosas de dentro do presídio. Ainda de acordo com denúncias, eles forneciam dinheiro, armas e homens para o tráfico no Morro do Estado.

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