Armamento da Guarda Municipal divide população de Niterói

Anderson Carvalho –

A possibilidade do armamento da Guarda Municipal de Niterói começa a mobilizar a população da cidade, que está dividida sobre o assunto. A iniciativa foi proposta pelo governo municipal como uma resposta ao crescimento da violência no município nos últimos anos. A prefeitura fará consulta aos niteroienses no próximo dia 29, com a seguinte pergunta: “Você é a favor do uso de arma de fogo pela Guarda Municipal de Niterói?”. O voto é facultativo. Recentemente, surgiram movimentos contra a iniciativa. A TRIBUNA foi às ruas ouvir populares, que se mostraram divididos.

“Se a guarda for bem treinada para usar armas, talvez seja uma boa ideia. Hoje, não tem hora para a violência. Ainda há pouco vi três rapazes que quase assaltaram duas mulheres na Praia de Icaraí”, contou Fernando Rodrigues, 46 anos, analista de sistemas.

“Sou contra, pois os guardas são muito agressivos. Vejo agentes jogando spray de pimenta em dependentes químicos que ficam nas ruas. Estes precisam de tratamento médico. Imagina o que os guardas fariam se estivessem armados?”, perguntou o fisioterapeuta Daniel Oliveira Santos, de 39 anos.

“Não acho uma boa a guarda usar arma de fogo. Eles não têm preparo emocional para isso. Podem acabar matando um inocente”, disse o engenheiro civil Denílson Mascarenhas, 55.

Diversas organizações da sociedade civil, como a ONG Bem TV e cidadãos, organizaram a Frente pelo Não Armamento da Guarda Municipal de Niterói. Foi criada há um mês e meio e toda quarta-feira promove debate sobre o tema na Praça Leoni Ramos, na Cantareira, em São Domingos, além de reuniões periódicas em locais diferentes. “Começamos com quinze pessoas. Hoje, o movimento cresce a cada dia. Todo lugar que fomos as pessoas não sabiam nem que haverá uma consulta pública. Entre dez pessoas que ouvimos, nove acreditam que a guarda está preparada para andar armada. Consideram que não é com mais armas nas ruas que o problema da violência será resolvido”, afirmou a jornalista Cláudia Regina Ribeiro, presidente da Bem TV. O movimento também distribui nas ruas panfleto contra o armamento da GM.

No próximo dia 18, às 19h, haverá o debate “Menos armas e mais educação! Debate contra o desarmamento, promovido pela Frente Ampla Contra o Armamento. Será no Campus do Gragoatá da UFF. Os debatedores são a pesquisadora em criminologia Maysa Carvalhal e os vereadores Talíria Petrone (PSol) e Leonardo Giordano (PC do B).

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