Armamento da Guarda divide opiniões em SG

A aprovação do uso de armas letais pela Guarda Municipal de São Gonçalo está dividindo opiniões entre os moradores da cidade. Enquanto alguns acham que a medida vai amentar a segurança da população, outros temem que agentes não estejam preparados para usar esse tipo de armamento. A proposta foi aprovada na quarta-feira pela Câmara Municipal quase por unanimidade (21 a 1), com voto contrário apenas do vereador Professor Paulo (PCdoB).

Na opinião do motorista Michael Lucio Alves, o uso de armas pelos guardas municipais pode ser bom para melhorar a segurança da população. No entanto, ele defende que o treinamento seja rígido e criterioso.

“A violência é hoje o maior problema de São Gonçalo e acredito que sabendo que a Guarda Municipal está armada, os criminosos vão pensar duas vezes. Mas é preciso que haja um treinamento rígido, uma avaliação psicológica criteriosa desses profissionais para que eles possam saber utilizar essas armas para o bem da população”, afirmou.

Já o comerciante Wallace Ferreira é totalmente contra a medida. Ele diz que os agentes de segurança, de forma geral, estão despreparados para o uso de armas letais.

“O treinamento oferecido é muito precário. Um agente de segurança realiza um treinamento básico e logo em seguida já está na rua trocando tiro com bandidos. Infelizmente o despreparo é grande e com mais armas nas ruas, temo pelo aumento da violência”, observou Ferreira.
A segurança dos próprios guardas municipais é a preocupação do operário Ivan Costa.

“Vai ser muito perigoso para os próprios guardas. Agora eles correm o risco de serem abordados pelos bandidos e ainda serem mortos com a própria arma. Acho que eles vão trabalhar com medo”, defende.

O projeto aprovado será encaminhado ao prefeito para sanção. A lei vai requerer uma regulamentação para o uso dos armamentos, preparação dos agentes e testes clínicos e psicológicos. Na opinião do prefeito José Luiz Nanci, São Gonçalo é um dos municípios que mais sofrem com o crescimento da violência.

“É preciso mudar essa situação. Atualmente, não são raras as vezes nas quais os agentes da guarda são obrigados a atuar em situações que os levam a riscos de morte, a exemplo de detenções de bandidos armados nas ruas. O apoio das polícias Militar, Civil e Federal nesse processo de armamento da Guarda Municipal é imprescindível – e obrigatório – para que possamos garantir a melhoria necessária na segurança pública para todos, cidadãos e trabalhadores que atuam nas ruas todos os dias para proteger a população”, garantiu Nanci.

Após a sanção do prefeito, programada para os próximos dias, o projeto passará por um processo de regulamentação para o uso dos armamentos, preparação dos agentes (cursos de armamento e tiro), avaliação psicológica, instruções nas áreas de legislação penal, constitucional, direitos humanos, entre outros segmentos relacionados ao tema.

“O projeto será posto em prática com integração entre o município e as esferas federal e estadual. Para o melhor aproveitamento das aulas, os agentes serão formados em turmas (número ainda a ser definido). Todos os agentes passarão pelos processos de formação e avaliação e serão armados somente após concluírem e serem aprovados em todas as etapas”, explica o secretário de Segurança Pública de São Gonçalo, Felipe Brito.

Os tipos de armamentos serão definidos após a regulamentação, que será desdobrada nos próximos meses. Já em relação à aquisição das armas, poderá ser feita através de compra (licitação), parcerias e/ou doação. Os tipos de armamentos que os guardas portarão e o investimento a ser feito ainda serão definidos.

Atualmente, a Guarda Municipal de São Gonçalo possui 324 agentes. Nanci pretende continuar promovendo mudanças positivas na corporação, como ampliar o efetivo. Em abril deste ano, Nanci inaugurou a nova sede da corporação. Além de representar economia com aluguel, o novo espaço também fornece melhor infraestrutura para a corporação.

No Estado do Rio, os municípios de Barra Mansa e Volta Redonda já armaram suas Guardas Municipais.

Niterói – Ao contrário de São Gonçalo, que não ouviu a população sobre o tema, a Prefeitura de Niterói realizou uma consulta pública no ano passado para saber a opinião dos moradores. Compareceram às urnas apenas 18.990 dos 371.736 eleitores do município, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo que 70,1% (13.478) dos niteroienses disseram não e somente 28,9% (5.480) queriam que a guarda portasse o armamento.

Todos os eleitores com título e um documento oficial com foto tinham direito a participar, mas o voto não era obrigatório.

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