Após salvar gatinho, caiaqueiro quer se dedicar à causa animal

“Agora a minha vida será pela causa animal”. Essa foi a afirmação do caiaqueiro Alexandre Duarte de 53 anos que passou por uma experiência transformadora em sua vida: salvar o gatinho que foi arremessado da Ponte Rio Niterói no último domingo. E quem acha que ele apenas retirou o bichano da água, se engana. O funcionário público tirou duas vezes o gatinho da água e diz ter passado cerca de 3 horas na companhia do amigo de quatro patas. E assim como é típico dos felinos ele entrou e saiu da vida do morador da Zona Norte do Rio de maneira rápida e arisca, mas tempo suficiente para mudar a concepção de vida do Alexandre.

Alexandre contou que ele e mais nove amigos caiaqueiros saíram da Ilha do Fundão no último domingo (15) para pescarem em baixo da Ponte, na altura do Vão Central, por volta das 10h. O grupo estava reunido na água quando eles ouviram um barulho muito forte no mar. “Ficamos sem entender o que tinha acontecido e olhamos procurando alguma coisa. Parecia que tinha caído um tijolo no mar. Em segundo aparece emergindo um gatinho com os olhos arregalados, assustado e miando”, lembrou emocionado.

Os amigos ficaram atônicos e em poucos segundos entenderam que um gato tinha sido arremessado do alto da Ponte Rio Niterói. O caiaqueiro Vagner Rodrigues estava mais perto do gatinho e rapidamente colocou dentro do seu caiaque mas o animal estava tão assustado que Alexandre entrou na vida dele para dar um pouco de conforto. “Eu coloquei ele no meu caiaque. Ele estava agitado, com medo e muito assustado. Eu fiz muito carinho nele e ele foi pegando confiança em mim”, lembrou.

Os amigos continuaram pescando mas Alexandre voltou para a Ilha do Fundão com o bichinho. E um caminho que comumente é feito em 25 minutos foi feito em 3 horas. Nessa volta Alexandre contou que ia conversando com o animal. “Por muitas vezes parei, conversei com ele, peguei no colo, fiz carinho e ele foi confiando em mim. Teve uma hora que ele caiu na água de novo. Nesse momento foi tenso pois eu tenho uma deficiência em um braço e meu caiaque é de pedal. Eu tive que me equilibrar e pegar ele com um braço só sem cair do caiaque junto”, brincou o morador do Méier.

Ao chegar em terra firme em um lapso de segundos o gatinho mais que arisco pulou do caiaque e fugiu, típico comportamento dos felinos. “Eu queria encontrar ele e adotá-lo. Eu nunca tive um gato de estimação e nunca foi meu desejo. Mas esse encontro mudou a minha vida. Eu vi como os animais precisam de carinho e de amor. Naquelas três horas que a gente passou juntos eu nunca vou esquecer dele. Se eu pudesse adotar ele chamaria de Guerreiro ou vencedor”, finalizou Alexandre.

HOMENAGENS

A atitude do caiaqueiro além de ter sido muito elogiada nas redes sociais também vão lhe render homenagens. Ele recebeu um convite do Governo do Estado do Rio de Janeiro para na tarde dessa terça-feira (17), às 14h, ir ao Palácio Guanabara receber uma homenagem do governador Cláudio Castro e da primeira dama.

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que está realizando as buscas nos sistemas de vídeo. Tem uma equipe da PRF e outra da Ecoponte verificando todas as câmeras.“Não é comum esse tipo de prática. Na verdade é zero comum. Se o animal foi arremessado é surreal e repudiamos essa atitude e qualquer atentado a qualquer vida. Temos uma Lei de Maus Tratos muito mais severa do que era antigamente. O animal tem direitos e qualquer tipo de violação do direito animal vai ser punido exemplarmente pela PRF”, frisou a porta-voz da PRF Amanda Brollo.

A Ecoponte ainda não se manifestou sobre o assunto.

SITUAÇÕES INUSITADAS

Em janeiro desse ano um vídeo ganhou a internet e mostrava dois homens saltando de paraquedas da Ponte Rio Niterói. Eles estavam em um veículo com mais um amigo, que dirigia em velocidade baixa. Como suporte um quarto envolvido estava de jetski na Baía de Guanabara e fez o ‘resgate’ dos aventureiros junto a um dos pilares da Ponte. ,

Situações como essa não são comuns de acontecer na rodovia. Amanda Brollo disse que na época o caso foi registrado e os quatro envolvidos foram identificados: os dois que pularam, o que estava dirigindo e o que pilota o jetski. Além disso a PRF comunicou as entidades de Voo Livre, de paraquedismo e também a Capitania dos Portos, para cassação da carta náutica de quem pilotava o jetski. Também foram aplicadas multas: de exposição ao perigo e de velocidade abaixo da mínima permitida.

ACHADOS E PERDIDOS

Questionada sobre o arremesso de objetos inusitados da Ponte Rio Niterói, a porta-voz disse que isso é algo raro de acontecer. “Não acontece isso. E nem lixo é jogado dos carros. Acredito que as pessoas temem as filmagens”, resumiu.

Apesar de não ter arremessos a PRF diz que o setor de achados e perdidos tem bastante itens que são recolhidos nas vias. A maioria dos objetos são itens pessoais que voam de motoristas e motociclistas. Bonés, carteiras, óculos, cordões e documentos estão nessa listagem. Para recuperar algum objeto perdido basta fazer o contato com a PRF e levar o documento de identificação e fornecer características do item.

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