Após prisão de policiais, mortes para calar possíveis delatores

Augusto Aguiar –

A equipe de investigação da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) está investigando se pelo menos cinco homicídios, ocorridos nos últimos dias em São Gonçalo, estariam relacionados com a Operação Calabar, desencadeada e coordenada pela especializada na semana passada. Na ocasião, 96 PMs foram denunciados pela Justiça, acusados de corrupção e presos. Segundo os agentes, a ofensiva da Operação Calabar poderia estar gerando crimes conhecidos como “queima de arquivo”, conforme A TRIBUNA antecipou na edição desta terça-feira (04), nos quais acusados de terem envolvimento com PMs corruptos poderiam estar sendo “eliminados” para não confessarem o que sabem para as autoridades.

Apontados como arrecadadores de dinheiro para policiais corruptos, os agentes checam se Michel Monteiro de Oliveira, o Michel Gago, e Carlos Eduardo Batista de Souza, o Edu Pica, dois dos investigados, já estariam mortos. Existe a desconfiança de que eles seriam dois dos quatro mortos carbonizados, encontrados dentro de um veículo, no sábado passado (dia 1º) nas imediações do Morro do Castro, em Tenente Jardim.

Na segunda-feira (03), a PM também foi acionada para a Vila Candoza, São Gonçalo, onde encontrou um corpo decapitado. As circunstâncias de mais esse violento crime estão sendo investigadas e não está afastada a possibilidade de relação com os outros assassinatos no Morro do Castro. Michel e Carlos Eduardo já tinham sido presos anteriormente acusados de homicídio qualificado, mas foram soltos e respondiam ao processo em liberdade. Recentemente, outros mandados de prisão contra os eles foram expedidos na Operação Calabar.

Ainda na segunda mais sete policiais acusados de envolvimento no esquema de propina se apresentaram espontaneamente na DH, o que elevou para 90 o número de policiais apontados por corrupção com mandados de prisão cumpridos. Seis ainda estão foragidos. Na casa de um dos policiais a DHNSGI encontrou rádios transmissores e aparelhos celulares, que os agentes disseram se tratar de equipamentos utilizados por policiais corruptos alvos da investigação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × 5 =