Após melhor campanha da história, Brasil termina atual Olimpíada pensando em Paris-2024

Tóquio 2020

Um dos desafios do país é aumentar os investimentos no esporte para o próximo ciclo olímpico

O saldo final das Olimpíadas de Tóquio pode ser considerado positivo para o Brasil. Isso porque o país conseguiu a melhor campanha da história, chegando ao 12° lugar no quadro de medalhas, com 7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes, sendo 21 ao todo. Em número de ouros, o país igualou as conquistas nas olimpíadas do Rio, em 2016. Em compensação, os atletas medalhistas chegaram ao pódio em 13 modalidades distintas, outro feito inédito.

“Entregamos o que tínhamos como meta, que era superar o Rio 2016. Estar em 12° lugar no mundo, numa competição com 206 países, é um índice importante. Tenho convicção que o trabalho foi feito com muito gosto, vontade e determinação. Entregamos o que tínhamos como meta, e estamos satisfeitos com o resultado”, disse o presidente do COB, Paulo Wanderley.

Esta é apenas a segunda vez que um país apresenta melhora de resultados após ter sediado os Jogos na edição anterior. Antes, somente a Grã-Bretanha havia alcançado tal feito: abrigou o evento em Londres 2012 e obteve um desempenho superior no Rio 2016.

Um dos trunfos desta campanha foi o desempenho feminino. Pela primeira vez, as brasileiras conquistaram 3 ouros, 4 pratas e 2 bronzes, totalizando nove pódios na atual edição dos Jogos Olímpicos. Ao todo, as mulheres conquistaram 42,3% das medalhas do país, superando os 41,2% de Pequim 2008, que teve 2 ouros, 1 prata e 4 bronzes conquistados por atletas femininas.

Recursos de quase R$ 300 mi em 2020

No ano de 2020, o Comitê Olímpico do Brasil teve uma arrecadação de receita de R$ 290.162.046,46, que são parte dos recursos destinados ao esporte brasileiro através da Lei das Loterias. A medida destina 2% de tudo o que é arrecadado das loterias ao investimento olímpico. Com isso, no ano passado a Lei das Loterias destinou R$ 1,244 bilhão aos esportes, de acordo com dados da Caixa.

O esporte que mais recebeu recursos no ano passado foi considerado uma das decepções pelos maus resultados. Com um repasse de mais de R$ 8,2 milhões, o vôlei voltou de Tóquio com apenas uma medalha, a prata conquistada pelas mulheres na quadra. O masculino não subiu ao pódio depois de 21 anos. E a modalidade de praia não trouxe nenhuma medalha, algo que nunca tinha acontecido desde que o esporte passou a integrar o programa olímpico, em 1996, nos jogos de Atlanta, no Estados Unidos.

Já o boxe mostrou que está em franca ascensão desde Londres-2012. Com três medalhas conquistadas, o esporte teve a melhor campanha da história, com 1 ouro, 1 prata e um bronze. Com um investimento de quase R$ 5,5 milhões recebidos no ano passado, a modalidade já é vista com expectativa para os jogos de Paris, em 2024.

Prêmios aos atletas medalhistas

Em retribuição aos resultados, o COB ofereceu as seguintes premiações: R$250 mil aos campeões em provas individuais, R$500 mil para duplas e R$750 aos esportes coletivas. Em cada categoria, os vice-campeões vão receber 60% deste valor e os medalhistas de bronze, 40%.

Com isso, os valores que cada atleta vai embolsar variam. A ginasta Rebeca Andrade ganhou R$ 400 mil por ter levado a prata no geral e o ouro no salto. A seleção masculina de futebol, com o ouro na decisão contra a Espanha, leva R$ 750 mil para dividir entre os convocados. Já a equipe feminina de vôlei, vice-campeã recebeu R$ 450 mil pela prata, também para compartilhar entre o elenco. E as velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze vão dividir R$ 500 mil pela vitória na vela.

Metas para Paris-2024

A partir de agora, o COB direciona suas atenções aos Jogos Olímpicos Paris 2024. Por isso, a entidade já realizou duas viagens à capital francesa neste ano e uma terceira está prevista para outubro.

A entidade pretende também arrecadar mais recursos privados, que se encontram escassos atualmente. O vice-presidente do COB, Marco La Porta, admitiu que o orçamento não foi o ideal para o investimento maior. Por isso, uma das alternativas foi a realização de parcerias através da Missão Europa, realizada no segundo semestre de 2020, que proporcionou a retomada dos treinamentos dos atletas brasileiros em condições de segurança.

“Essa ideia surgiu da dificuldade dos nossos atletas treinarem no Brasil. Das 13 modalidades que medalharam nos Jogos, nove passaram pela Missão Europa. Isso foi muito importante para termos o resultado alcançado em Tóquio, um trabalho conjunto de equipe. Há muita coisa por trás desse quadro de medalhas”, explicou La Porta.

E além das parcerias e das viagens, o COB espera que o Time Brasil tenha um bom desempenho em outras competições preparatórias para o próximo ciclo olímpico. Neste intervalo de tempo o país vai participar dos Jogos Pan-americanos Júnior Cali 2021, os Jogos Sul-americanos Assunção 2022 e os Jogos Pan-americanos Santiago 2023.

Foto: Wander Roberto/COB

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