Apoiados por Bolsonaro se elegem para as presidências da Câmara e do Senado

A Câmara e o Senado conheceram na segunda-feira (1) seus novos presidentes. Na disputa mais polarizada, os deputados elegeram Arthur Lira (PP-AL) por 302, contra 145 votos de Baleia Rossi (MDB-SP) para dois anos à frente da Câmara. No Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) venceu a disputa contra Simone Tebet (MDB-MS) por 57 votos a 21.

Eleito já no1º turno, Arthur Lira teve o apoio do presidente, Jair Bolsonaro. Ele derrotou o candidato que era apoiado por Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Além de definir as pautas de votação do plenário, o presidente da Câmara tem a prerrogativa de decidir, sozinho, se abre ou não um processo de impeachment para afastar o presidente da República.

Já no Senado, Pacheco declarou que sua aliança com diferentes correntes ideológicas pode ser interpretado como uma oportunidade de pacificação das relações políticas.

“Vamos fazer disso uma grande oportunidade, uma grande oportunidade singular de pacificação das nossas relações políticas e institucionais porque é isso que a sociedade brasileira espera de nós”, afirmou.

Em pronunciamento à imprensa após o discurso de posse, Pacheco listou as medidas que pretende implementar na sua gestão à frente da Casa.

“Há uma camada social de pobreza, de pessoas vulneráveis, necessitadas, decorrentes da pandemia ou não, mas que precisam ser assistidas pelo estado brasileiro. De modo que me comprometo desde agora a um trato com o Poder Executivo, com a equipe econômica, para encontrarmos caminhos possíveis de responsabilidade fiscal, de observância de teto de gastos, mas sem deixar de assistir as pessoas que mais precisam”, disse o novo presidente do Senado.

Pacheco foi escolhido por Davi Alcolumbre (DEM-AP) para sucedê-lo na presidência. O apoio de Alcolumbre foi fundamental para a eleição de Pacheco, dada a simpatia de líderes de diversos partidos pelo então presidente da Casa. A proximidade de Alcolumbre com o presidente Jair Bolsonaro, com lideranças governistas, como PP, PSD e Republicanos, e de oposição, como PT e PDT, assegurou um apoio abrangente a Pacheco.

Ao longo dos dias que antecederam a eleição, Simone Tebet perdeu o apoio formal do seu partido. Inicialmente, ela saiu como candidata de um bloco, com apoio também de PSDB, Cidadania e Podemos. Hoje, ao registrar sua candidatura na Mesa Diretora, ela se colocou como candidata independente. Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Lasier Martins (Podemos-RS) e Major Olímpio (PSL-SP), outros candidatos à presidência, desistiram de suas candidaturas na última hora para apoiar Tebet, mas não foi o suficiente para ela superar Pacheco.

Rodrigo Pacheco nasceu em Porto Velho, em 3 de novembro de 1976. Ele é advogado e está em seu primeiro mandato como senador. Antes, foi deputado federal entre 2015 e 2018, quando presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. No Senado, atuou como vice-presidente da Comissão de Transparência e Governança (CTFC).

A votação levou cerca de uma hora e 15 minutos para ser concluída. Isso porque apesar de haver urnas espalhadas pelo plenário, pelo Salão Azul e pela Chapelaria, um dos acessos ao Congresso, os votos foram feitos um a um, com senadores sendo chamados a votar. Os que não votaram no plenário recebiam a cédula de outro senador no momento em que eram chamados.

Não votaram os senadores Jaques Wagner (PT-BA), que está de atestado médico em seu estado, Chico Rodrigues (DEM-RR), que está licenciado do cargo, e Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), afastado por motivos de saúde.

A primeira tarefa de Pacheco como presidente da Casa é conduzir a eleição do restante da Mesa Diretora hoje. A mesa é composta pelo presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e seus suplentes.

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