Niteroienses se mobilizam pelo “apitaço” e “buzinaço”

Augusto Aguiar –

Uma prática, adotada por niteroienses há mais de seis anos, está ganhando força nas redes sociais e pode ser mais uma vez adotada na cidade, diante da escalada da violência. A questão é se a tal campanha seria (ou não) uma forma arriscada de prevenção de ações criminosas. Na internet, pessoas buscam adesões para o uso de “apitos” por parte de moradores e pedestres, e de “buzinas” por motoristas para alertar a polícia e outros populares de que uma ação de bandidos teria sido presenciada ou estaria em andamento. O alerta sonoro também despertaria o acionamento de policiais em patrulhamento no perímetro onde os marginais estivessem atuando.

Muitos moradores e pedestres já estão demonstrando apoio à iniciativa e buscando mais simpatizantes, mas alguns acham um “arriscado” denunciar a ação de criminosos. “Campanha do apito pra deter a violência crescente em Niterói é tipo revolucionário de rede social. Daqui a pouco tá vendendo apito gourmet no Campo de São Bento. Parem. Vamos batalhar para pagarem a PMERJ que resolve”, foi uma das opiniões postadas nas redes sociais. “Sou a favor da campanha do apito e da buzina. Quando os bandidos estiverem rendendo ou assaltando, as pessoas das janelas dos prédios, ruas, etc começam apitar e os carros a buzinar…Vamos nos unir, já que este governo não faz nada… Os bandidos estão armados de armas pesadas, facas, giletes e o povo desarmado sofrendo todos tipos de violências e andando todos angustiados, temerosos…Vamos nos armar com o que podemos também. Ex: apitos, spray de pimenta, quem tem carros, buzinas. Visualizem as placas de carros dos assaltantes e grava o número e se houver possibilidade e sem risco filma as placas e os rostos. Dos prédios filma, fotografe. Vamos fiscalizar nossa cidade. Denuncie qualquer movimento estranho que vir. Vamos dar um basta! Todos unidos contra a violência em Niterói”, postou outro usuário. “Parem de divulgar essa ideia de campanha do apito! Não tem cabimento apitar enquanto alguém estiver sendo assaltado, já pararam pra pensar o risco que isso traz pra vítima? O assaltante não tem nada a perder, a vítima tem!”, e “Atenção moradores de santa Rosa e Icaraí. Vamos começar a campanha do apito?”, convocou outro usuário, demonstrando que existem prós e contras contra o “apitaço” e “buzinaço”.

O músico niteroiense Flávio Faria concorda com a ideia e seria muito bom para o bairro onde reside se as pessoas adotassem esse tipo de comportamento. “Acho que daria muito certo. É uma forma de surpreender os criminosos, que pensariam duas vezes antes de cometerem algum delito, pelo menos em locais movimentados, sob o risco de causar um alarde e ele ser preso. Essa ideia não é nova e não sei porque ela não foi adiante há mais tempo. Precisamos fazer alguma coisa diante de tanta violência. O apitaço é uma opção”, afirmou.

Em 2011, moradores de bairros da Zona Sul e Região Oceânica usaram apitos com objetivo de espantar suspeitos. O assunto chegou a ser veiculado na imprensa, que também abordou na ocasião o uso de “sirenes”, além da campanha VIP (Vizinhos Integrados com a Polícia), que em 2012 tornou-se uma forma de reprimir a violência na Região Oceânica, que sofria com a incidência de crimes como roubos à residência. A iniciativa consistia em um grupo de moradores que conhecia a rotina entre si e demais integrantes do grupo, que chegou a atingir cerca de 250 membros. As casas que integravam o projeto afixavam em seus portões a placa com a sigla VIP, confeccionada na ocasião com autorização da polícia. Aos integrantes também era garantido o acesso a palestras e a um sistema de senhas e sinais de alertas para o perigo. Também na ocasião havia a expectativa de integrar toda a Região Oceânica com o mesmo sistema.

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