Apesar do avanço da vacinação, procura por EPIs segue em alta

Quase oito meses após Niterói vacinar a primeira pessoa na cidade (a profissional da saúde, Bruna Lemos, de 35 anos), o município comemora o impressionante percentual de mais da metade de sua população já imunizada com as duas doses da vacina. Mediante esse marco, reportagem especial de A TRIBUNA pesquisou, em vários pontos da cidade, como se encontra atualmente a procura por equipamentos de segurança individual (EPIs).

Durante o ano de 2020, a pandemia do coronavírus impôs uma busca constante por equipamentos de proteção nas farmácias e lojas especializadas. Dentre os itens mais procurados, os vendedores destacam a máscara, álcool em gel, luva, óculos e face shield. De acordo com dados da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (Animaseg), o mercado de EPIs no ano passado teve um aumento 20% no faturamento em reais e 10% em dólares, acumulando um volume de mercado da ordem de R$ 10,3 bilhões e US$ 2,6 bilhões.

Mesmo com o avanço da campanha de vacinação deflagrada ao longo deste ano, funcionários de farmácias e lojas de EPIs garantem que a procura pelos itens de segurança continuam em alta e seguem entre os produtos mais vendidos de seus estabelecimentos. O atendente de uma importante rede de farmácias, Luiz Sampaio, afirma que ainda não houve queda na procura pelos itens de proteção.

“A relativa queda que ocorreu aqui aconteceu porque, no início da pandemia, eram poucos lugares que vendiam esses produtos. Isso fez com que a nossa loja tivesse uma procura absurda. Mas, com o tempo, outros locais passaram a oferecer esses itens, o que aumentou a oferta. Ainda assim, nossas vendas permaneceram em alta. Mesmo com o avanço da vacinação, acredito que a população criou o hábito de se proteger”, explica o atendente.

O vendedor de uma tradicional loja de produtos hospitalares de Niterói, Alcione Morais, explica que sua loja continua com as vendas em alta e que as pessoas continuam se protegendo, mesmo com avanço da vacinação.

“No início da pandemia tivemos um grande aumento nas vendas, depois deu uma estabilizada. Mas, até agora, não tivemos redução. Vendemos cerca de 20 caixas de máscaras por dia, mais as que vendemos individualmente, que somam cerca de 40 unidades diariamente”, esclarece o vendedor.

Alcione comenta que a grande maioria dos clientes de sua loja são pessoas que já receberam as duas doses da vacina, mas que não abrem mão de continuarem se protegendo. Esse é o caso, por exemplo, da servidora pública Ana Cabral, de 56 anos. Ela faz questão de lembrar que “a pandemia ainda não acabou.” Segundo Ana, “os cuidados precisam ser mantidos, mesmo por aqueles que já foram vacinados, pois ainda há muita pesquisa a ser desenvolvida antes de relaxarmos com os cuidados”, afirma.

A pedagoga Luciene Santiago acredita que as pessoas ainda conscientes sobre os perigos da pandemia, mesmo vacinadas, continuam se protegendo, pois a cada momento vemos surgir uma “nova situação” na mídia.

“No meu caso, eu não estou comprando essas máscaras apenas porque vou viajar. No meu dia a dia, eu já me condicionei a situação de ter que usar máscara o tempo todo. Embora eu já tenha sido vacinada com as duas doses, é preciso manter a segurança até que o país fique totalmente livre dessa doença”, explica.

A pedagoga lamenta que nem todas as pessoas “estão preocupadas com a segurança, mas elas esquecem que a segurança não é só para elas, mas também para o outro”. Emocionada, Luciene relata que ela teve perda de entes muito próximos para a doença e, por fim, desabafa: “só quem já perdeu um ente querido sabe o quanto essa doença é séria e o quanto é necessário manter os cuidados. É lamentável como as pessoas desprezam os perigos que essa doença representa, finaliza.

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