Apesar do atentado, empresa de internet segue atendendo

Após os casos de intimidação a técnicos de internet e o atentado a uma central telefônica, a empresa Leste Telecom, por meio de um representante de seu departamento jurídico, se posicionou sobre os acontecimentos. Na última quarta-feira (12), sete carros da empresa foram destruídos após um ataque de criminosos usando coquetéis molotov, na localidade de Maravista, em Itaipu, Região Oceânica de Niterói.

A Polícia Civil, por meio da 81ª DP (Itaipu), apura se os ataques têm relação com os casos de intimidação aos funcionários, que estariam sendo coordenadas pelo narcotráfico local. A empresa afirmou que, mesmo sendo alvo constante de ataques, não irá deixar de atender a região do Engenho do Mato, local das denúncias, mas em determinadas ruas não poderá prosseguir com o serviço por causa da atuação de criminosos.

“A gente não vai parar de atender a região. Algumas ruas infelizmente não terá como atender porque os funcionários não estão entrando e não tenho como obrigar ninguém. Existem condomínios lá dentro que só tem uma opção agora. Mas as operadoras estão colocando que não tem cobertura mais”, disse o representante.

O representante jurídico na empresa ainda endossou que a Leste não é a única prestadora a ser alvo de intimidações por parte de criminosos que buscam garantir a hegemonia do “gatonet”, que é o serviço clandestino de internet. Na última semana, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) havia confirmado o relato por meio de nota enviada à reportagem de A TRIBUNA.

“Nós não somos os primeira a ter incidente do tipo. Um grande grupo não está trabalhando mais lá, outra não está mais entrando, outra não fez mais investimentos. O pessoal da delegacia está dando um apoio muito grande. Não é área de comunidade, foi no meio do Maravista, um dos melhores bairros da região. Fomos pegos de surpresa. Aquilo foi uma triste surpresa. Era uma base pronta, que estava completamente operacional”, prosseguiu.

Ainda segundo o representante, a empresa possui clientes em quase toda a Região Oceânica, partindo da região do Tibau, em Piratininga, até a divisa com a cidade de Maricá. Após o atentado à base operacional de Maravista, o local foi desocupado no mesmo dia. Para suprir a demanda, estão sendo deslocados profissionais de outras centrais.

“Estamos suprindo com funcionários de Maricá e Itaboraí e estou vendo para onde levar [a nova base da Região Oceânica]. Aquela base não tinha marcação nenhuma, o funcionário chegava, batia o ponto, pegava os equipamentos, o carro e saía. A intenção não era chamar atenção. A gente queria um muito alto para evitar de quererem roubar, etc.”, explicou.

Por fim, o representante relatou que, dos cerca de mil clientes que a empresa possui na Região Oceânica, cerca de 60 foram perdidos por conta do cerceamento feito pelos traficantes. A Leste Telecom afirmou que tem esperança na investigação da polícia para que os responsáveis sejam punidos e a operação possa ser normalizada.

“Esperamos que as coisas melhorem, porque ninguém aqui é de desistir fácil. Tanto que na primeira ocorrência nossa na região, em março de 2020, eles chegaram a sequestrar uma equipe minha inteira à noite, numa dessas ruas que ninguém quer entrar mais”, finalizou.

Investigação

A 81ª DP, por meio de imagens de câmeras de segurança da região, confirmou que um homem numa moto atirou o coquetel molotov no interior do pátio da central técnica. O delegado Fábio Barucke, responsável pela investigação, afirmou que solicitou imagens de câmeras do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) para tentar identificar a motocicleta envolvida no atentado.

“Os veículos queimados, que eram de uma locadora e alugados pela empresa, foram periciados. Juntamos o laudo no Inquérito Policial. Uma moto aparece em uma imagem e uma pessoa, que sai da moto, lança a garrafa sobre o muro e atinge os veículos. Imagens no CISP foram solicitadas para verificar se conseguem localizar essa moto que apareceu”, explicou o delegado.

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