Aparição de jacarés causa preocupação em moradores da Região Oceânica

Moradora de Piratininga teme que crianças possam ser vítimas de ataques. Prefeitura alega que a presença na região é comum

Desde a semana passada, moradores de Piratininga, na Região Oceânica, têm afirmado que a presença de jacarés pelo bairro, principalmente no local próximo às obras do Parque Orla, se tornou frequente. E os novos visitantes são motivo de medo para quem reside na área.

Moradora do Bairro Maralegre, Cláudia Fernandes conta que se tornou comum ver os jacarés a poucos metros de distância. E ela admite que não só ela tem sentindo medo, mas principalmente quem anda com criança pequena.

“Desde que as obras começaram, arrancaram tudo, matos e árvores. A lagoa é rasa, não tem nem dois metros de fundura, e os jacarés ficam próximos da ciclovia. Só que circula muita criança no local, principalmente no final de tarde, pois muitas vão lá para brincar. Não quero nem imaginar um desses indo pra cima de uma criança”, conta de forma temerosa.

Ela se queixa que eles estão se sentindo “incomodados” com os barulhos feitos pelos caminhões e tratores que estão no local. Além disso, a moradora afirma já ter visto um jacaré “a menos de 300 metros de casa”.

Outra moradora do mesmo local, Íris Toledo também se queixa da situação. Afirmando já ter visto o animal ficar “a 20 metros de distância”, ela também alega sentir “pena” dos jacarés ficarem em uma água suja. Outro item que ela reclama é da falta de repreensão por parte dos pais das crianças que jogam pedras neles.

“É muito triste ver eles nessa situação. Antes, eles até apareciam, mas voltavam imediatamente para a lagoa. Só que com as obras, a lagoa praticamente tá seca. O que existe hoje é uma fossa, toda suja e mal cheirosa. É lá que os jacarés ficam. Daí, alguns acabam ficando perto da gente. Já vi criança jogar pedrinha e a gente avisa: ‘Cuidado, não provoca o bicho’, mas muito pai não está nem aí”, comenta Íris.

Outro item que ela fala, corroborando a fala de Cláudia, é do medo que muitos sentem com um possível ataque por causa da proximidade entre os jacarés e os moradores da região.

Prefeitura diz que a presença deles é normal e fala em monitoramento feito pela Inea

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Niterói informou, através da Coordenadoria Ambiental da Guarda Municipal de Niterói, que “a presença de jacarés-de-papo-amarelo no sistema lagunar é comum, já que estão em seu habitat natural. Os animais são monitorados pela Coordenadoria e pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e não há registro de ataques a pessoas ou animais domésticos”.

Responsável pela pasta, Jociley Pereira explica que um grupo de trabalho multidisciplinar formado por biólogos, engenheiros ambientais, equipe de comunicação do Parque Orla de Piratininga (POP), agentes da Guarda Municipal, técnicos do Comitê Gestor de Lagoas, entre outros, estabeleceu um protocolo de monitoramento e manejo da fauna e flora da região. Dentro deste protocolo está “o permanente diálogo e orientação à comunidade local sobre todos os procedimentos ambientais que devem ser seguidos”.

“A captura de um jacaré não é uma tarefa fácil, principalmente na água. Nossas equipes estão treinadas para este tipo de ação, mas é importante lembrar que o animal é arisco, pode se voltar para quem está se aproximando e, caso se sinta acuado, pode atacar. O jacaré não vai atacar se não nos aproximarmos. É essencial que os limites das áreas de preservação sejam respeitados”, explica Pereira.

A gestora de lagoas da prefeitura, Amanda Jevaux, orienta que a recomendação para quem vê um jacaré é acionar imediatamente a Coordenadoria Ambiental da Guarda através do número 153, que atende no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), para que as equipes possam avaliar qual o melhor procedimento deverá ser adotado.

“Os jacarés estão na Lagoa, em seu habitat natural. Sempre que forem encontrados, é importante avisar a Guarda através do número 153 ou o agente público mais próximo”, afirma Amanda Jevaux.

Procedimento para capturar jacarés

A Guarda Municipal afirma ter um procedimento para cada tipo de demanda. Após serem acionados, capturam o animal, que logo em seguida tem suas condições físicas avaliadas pela equipe e, caso não apresente nenhum tipo de ferimento, é reintegrado à unidade de conservação mais próxima. Já os animais que são capturados e apresentam algum tipo de ferimento são encaminhados para instituições especializadas parceiras.

Em maio, a Guarda foi acionada para resgatar um jacaré que estava na Lagoa de Piratininga, próximo ao canteiro de obras do Parque Orla. Em menos de uma hora o animal foi capturado e reintegrado à natureza na área de proteção ambiental do manguezal de Itaipu.   

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