Anjos que que perderam a batalha para a Covid-19

Camilla Galeano

Ao longo desses nove meses de pandemia muitas vidas foram perdidas. No município de Niterói foram mais de 670 óbitos. Oito deles de médicos que trabalhavam na linha de frente da Covid-19.

Antonio Carlos Correa Xavier, Augusto César Senna de Almeida, Eduardo Martin Vildoso Ponce de Leon, Marcio Enne de Andrade, Mounir Assaf, Olavo Santos Cabral, Paulo Sampaio de Oliveira e Victor Luiz Bon deixavam suas famílias todos os dias, arriscando a própria vida para salvar a de outras pessoas. Na passagem dessa pandemia, esses profissionais partiram, deixando saudade e a certeza de que fizeram o que podiam e que, se pudessem, fariam mais ainda.

Para eternizar aqueles que dedicaram sua vida aos outros, o JORNAL A TRIBUNA faz essa homenagem.

“Por trás das máscaras e dos equipamentos de proteção, existiam mais do que grandes médicos, existiam pessoas de um coração tão enorme quanto sua vontade de ajudar”, afirma o Conselho Federal de Medicina.

O médico radiologista Víctor Luiz Bon, dedicou mais da metade de seus 49 anos à Medicina. Primeiro, atuou no Scan do Hospital Santa Cruz, e depois no Setor de Imagem no Complexo Hospitalar de Niterói. Também fazia parte da equipe do Proecho Niterói.

“Victor foi meu residente, amigo e companheiro. Eu o trazia sempre para fazer parte da minha equipe, pela competência, profissionalismo e prestimosidade. Trabalhou até ficar doente”, disse o mestre da Radiologia Alair Sarmet, catedrático da especialidade na UFF, chefe do serviço do CHN e do Proecho Niterói.

Mounir Assaf, pneumologista, chefiou por mais de duas décadas o CTI do Antônio Pedro, que leva o seu nome. Faleceu no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) no dia 6 de julho, a uma semana de completar 80 anos.

“O mestre Mounir formou gerações de bons profissionais e que suas aulas magistrais no anfiteatro do Antonio Pedro despertavam enorme interesse pelo seu conteúdo e informações consistentes”, disse Miguel Aidê, amigo e colega de especialização.

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes (ABCDT) lamentou a morte do médico nefrologista, Olavo Santos Cabral.

“É lastimável a perda desse profissional extremamente dedicado à nefrologia e aos pacientes. Sempre atencioso com todos e preocupado com o bem estar do próximo”.

Na página do Centro de Saúde Oceânico, onde o médico ginecologista e obstetra, Paulo Sampaio de Oliveira trabalhava, pacientes lamentaram a morte e relembraram como ele era animado e um excelente profissional.

“Que triste notícia, ele fez o parto dos meus dois filhos, eu amava o tratamento que ele dava a todos os pacientes. Só na minha família ele fez onze partos. Meus sentimentos a todos familiares”, escreveu uma paciente.

Muitas vezes sem nem ter o rosto reconhecido por causa dos equipamentos de proteção, esses profissionais nunca exigiram exposição. Por isso é necessário que tais profissionais sejam reverenciados.

Agora e todos os dias, desde o início da batalha contra o inimigo invisível é hora de homenagear quem tem o poder curativo, ou de pelo menos aliviar dores e oferecer consolo e esperança.

Cansados e, na maioria das vezes, atuando em meio aos caos, onde falta quase tudo, essa gente se arrisca em seu dom filantrópico que inspira o que, seres humanos têm de melhor, ou deveriam ter: a capacidade de se compadecer diante da dor alheia.

A função social de cada funcionário da saúde merece reconhecimento com a plena certeza de que a maioria de nós estará, em algum momento, em suas mãos.

Palmas para esses profissionais que celebram a essência humana com tanto empenho, dedicação e entusiasmo. Luz e respeito aos profissionais que perderam suas vidas tentando salvar a de tantos outros.

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