Animais em condições insalubres são levados para abrigo em Niterói

Raquel Morais –

Ao longo dessa semana a situação precária e insalubre em que viviam cerca de 60 cachorros em um ‘abrigo’ na Rua Itapuca, no Ingá, chamou a atenção de protetores de animais. A dona do imóvel e tutora dos cães, considerada uma protetora, recolhe animais de rua, além de abrigar os que são deixados em seu portão. Mas a Associação Casa do Cão e Gato, abrigo que fica no Morro do Castro, conseguiu retirar 22 cachorros e um gato na última quarta-feira e, ao longo da próxima semana, esse número vai aumentar.

Vídeos e fotos foram postados em redes sociais mostrando o estado deplorável em que esses bichinhos viviam. As imagens chamaram atenção dos protetores de animais, que conseguiram negociar com a dona do ‘abrigo’ para retirar os cachorros da casa. Eles ficam dentro do imóvel e em um terraço, e são divididos de acordo com o porte e o temperamento.

“Defender a causa animal é lindo, mas acho que as pessoas devem ter noção de que para tudo tem um limite. Não adianta tirar os cachorros das ruas e aglomerá-los em um espaço pequeno em que eles vão passar fome e matar uns aos outros. É o que acontece. Os animais são raquíticos, passam fome, latem o dia inteiro com fome e às vezes se atacam e se matam. Além disso, o cheiro é insuportável e a dona deles muitas vezes joga as fezes deles pelo terraço, na rua”, contou uma vizinha que não quis se identificar.

A presidente da Associação Casa do Cão e Gato, Rosimar Lessa, disse que atualmente o seu abrigo tem 200 gatos e 200 cachorros e ela não tem mais condição de pegar nenhum animal. Mas a situação foi tão assustadora que ela topou recolher esses cachorros e alguns gatos. “Nós procuramos a dona dos animais e explicamos que a retirada deles da casa dela seria uma coisa boa para ela. Ela foi receptiva, entendeu e permitiu que a gente fizesse o recolhimento”, pontuou.

O protetor de animais Daniel Marques também participou da ação. “A tutora deles não consegue rejeitar um animal de rua ou uma doação e acaba colocando dentro de casa. É um ato de amor e nós entendemos a posição dela. Mas na associação eles vão ficar melhores”, contou.

A dona do imóvel foi procurada pela reportagem de A TRIBUNA, mas não quis comentar o caso. A Prefeitura de Niterói informou que uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) esteve no local na última quarta-feira e não verificou sinais de maus tratos. Foi acordado com a dona dos animais que aqueles que ainda não haviam sido castrados seriam levados para realizar o procedimento, em ação conjunta a protetores e ao Centro de Controle Populacional de Animais Domésticos (CCPAD). O CCZ e o CCPAD se colocaram à disposição da responsável para orientar no que for preciso em relação aos cuidados com os animais. Protetores também se disponibilizaram a ajudar no processo de adoção caso seja do interesse dela.

DENÚNCIA DE MAUS TRATOS
A administração municipal reforçou ainda que em casos como este, os cidadãos podem entrar em contato com o CCZ através do número (21) 2625-8441. O órgão envia uma equipe de veterinários/fiscais sanitários até o local para avaliar as condições higiênico-sanitárias do ambiente e se há algum risco para saúde ou maus tratos aos animais. Detectando irregularidades, o fiscal pode notificar o proprietário dos animais para que solucione o problema. O CCZ recebeu 128 denúncias envolvendo animais este ano, incluindo reclamações de pombos, morcegos, maus tratos e criação irregular de animais. Em todas elas, uma equipe foi encaminhada ao local.

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