Ana Clara é a segunda criança de 5 anos a morrer baleada em 2021

Vítor d’Avila

Sonhos interrompidos por tiros. Com a trágica morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, na terça-feira (2), em Niterói, o Rio de Janeiro contabiliza duas crianças, da mesma idade, mortas baleadas em pouco mais de um mês, no ano de 2021. Em 2020, foram totalizados 12 óbitos de crianças em situações do tipo.

De acordo com o professor Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Uerj, infelizmente a tendência é de que a taxa de mortalidade de crianças baleadas no estado se mantenha no mesmo patamar, ao longo deste ano. Entre as causas apontadas por cano, está operações policiais que, ao invés de prevenir, provocam tiroteios.

“Infelizmente esta é nossa rotina no Rio. Você tem tiroteios constantes e operações policiais que, ao invés de prevenir, geram tiroteios. Aí temos mortes diversas, entre elas de pessoas que não tem nada a ver com o confronto. Ano passado tivemos 12 [crianças mortas baleadas], então provavelmente neste ano teremos número semelhante”, explicou o professor.

Cano avalia de forma positiva a prisão em flagrante do policial suspeito de efetuar o disparo. O professor elogiou a rápida resposta da polícia, que conseguiu deter o agente no mesmo dia do crime.

“A reação nesse caso foi rápida, no sentido de que houve a prisão em flagrante. A reação da corporação e das instituições de segurança pública parece mais firme do que em outros casos. Gostaria de saber o porquê exatamente, quais as circunstâncias”, elogiou Cano, deixando também um questionamento sobre não haver respostas ágeis em outras situações.

Para diminuir a incidência de fatos do tipo, o professor aponta para a mudança na dinâmica de ações policiais. “Para evitar esse tipo de mortes trágicas é tentar planejar as operações para diminuir os confrontos, e não para entrar em confronto, como fazemos historicamente no Rio de Janeiro”, completou.

O outro caso citado, que aconteceu em 2021, é o da menina Alice, também de 5 anos, que foi baleada na madrugada da virada do ano, em 1º de janeiro. Ela estava no quintal de casa, na Comunidade do Turano, Rio Comprido, Região Central do Rio de Janeiro, quando foi atingida por uma bala perdida.

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