Amigos deixam flores em restaurante onde jovem foi assassinado

O surpreendente assassinato de Michel Sabarino de Souza, de 30 anos, ainda deixa marcas nos arredores do bar onde trabalhava auxiliando na cozinha e também era filho do proprietário. Na manhã desta quarta-feira (13), amigos e familiares deixaram um buquê de flores no local, que permanece de portas fechadas, em homenagem ao rapaz.

O comércio em volta do local do crime, que fica em frente à Central de Abastecimento de Niterói (CADEN), permanece com movimento abaixo do normal. De acordo com pessoas que trabalham na região, a população local ainda está em choque com o crime. É o que explica a atendente de uma farmácia, que preferiu não revelar a identidade.

“Ele às vezes vinha aqui, mas não tinha muito contato. Pelo que as pessoas falam, ele era uma boa pessoa, não tinha inimizades. Chegava aqui cedo para abrir o restaurante e ajudar o pai. Nunca vimos nada parecido com isso por aqui”, explicou a atendente.

Uma testemunha, que trabalha em uma das lojas do CADEN, e também preferiu não ter a identidade divulgada, recorda dos primeiros momentos após o crime. Ele narra que foi uma das primeiras pessoas a chegar ao bar após Michel ser baleado. O homem afirma ter tentado socorrer a vítima e acionado a Polícia Militar.

“Eu cheguei aqui por volta de 7h, como sempre, para abrir a loja. Depois eu escutei os barulhos daqui da loja. Foi alto por causa do eco que fez. Três tiros. Corri na hora para tentar socorrer. Ele estava dentro da cozinha, caído. Liguei no 190, mas até chegar a ambulância, demorou de 15 a 20 minutos e ele não resistiu”, disse.

Dois dias após crime, bar permanece fechado – Foto: Vítor d’Avila

O homem ainda afirma que o assassino agiu de forma muito rápida. Assim como a funcionária da farmácia, o rapaz diz que Michel era uma pessoa querida na região, onde vivia desde pequeno. A vítima era casada e deixa uma filha, ainda criança. Por mim, a testemunha confirma que moradores e pessoas que trabalham nas adjacências do bar ainda estão espantados.

“A pessoa que fez isso chegou rápido e foi embora da mesma forma. Tentei ver se dava para fazer algo, mas não tenho noção de primeiros socorros. Eu conheço ele mais de vista. Vinha aqui poucas vezes e trabalhava muito com o pai dele. Era um garoto tranquilo, casado, tinha uma filhinha. Muito triste. O pessoal está espantado ainda, todo mundo ainda sem acreditar. Um garoto que sempre foi daqui”, completou.

De acordo com dados da investigação, o criminoso chegou ao bar em uma motocicleta sem placa. Ele estava usando um capacete de cor branca, com o qual permaneceu durante toda a ação, do momento que chegou até a fuga. Em nota, a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG) afirmou que instaurou inquérito para apurar os fatos. Os agentes realizam  diligências em busca de informações para identificar a autoria do crime. 

Recordando

Michel foi assassinado a tiros, na manhã desta segunda-feira (11), em um restaurante no bairro do Barreto, Região Norte de Niterói. Policiais militares do 12º BPM (Niterói) e agentes da Operação Segurança Presente foram acionados para a ocorrência. Chegando ao local, os agentes fizeram contato com o Corpo de Bombeiros para que prestasse o socorro. Mas o rapaz já havia morrido quando os paramédicos chegaram.

Durante a perícia, máquinas caça-níqueis foram apreendidas no bar. A exploração de jogos de azar em local público ou acessível ao público é contravenção penal, prevista no Código Penal. Caso seja comprovada a responsabilidade do proprietário do estabelecimento, é prevista pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. A especializada fez a remoção das máquinas.

Questionado sobre a linha de investigação do homicídio de Michel, assim como o balanço da apreensão dos caça-níqueis, o delegado Wilson Ferreira, responsável pela ocorrência, afirmou que “não falaria com a imprensa”. Familiares preferiram não conceder declarações.

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