Ameaça da raiva volta a rondar as cidades fluminenses após 14 anos

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES) confirmou o primeiro óbito por raiva, em Angra dos Reis, depois de 14 anos de erradicação da doença. Um levantamento da Associação dos Controladores de Vetores de Pragas Urbanas (Aprag) apontou que no período do isolamento social por causa da pandemia do coronavírus, foi constatado um aumento na quantidade de lixo. Os resíduos domésticos estão diretamente ligados a proliferação de animais como pragas urbanas, isso inclui ratos (que provocam a leptospirose) e o próprio Aedes aegypti (que provoca doenças graves como a dengue, zika, chikungunya).

O adolescente, de 13 anos, foi mordido por um morcego em janeiro desse ano e não procurou ajuda médica para a vacina adequada. Em 22 de fevereiro ele começou a sentir os sintomas da doença, foi internado em 7 de março e morreu no dia 30 de março na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), no Rio. A SES informou que a raiva é uma doença transmissível que atinge todos os mamíferos como cães, gatos, bois, cavalos, macacos, morcegos e também o homem, quando a saliva do animal infectado entra em contato com a pele lesionada ou mucosa, por meio de mordida, arranhão ou lambedura do animal.

A produção de lixo aumentou nas residências e isso é uma preocupação que deve ter atenção. O aposentado Manoel dos Santos, 66 anos, disse que percebeu o aumento na produção de lixo na sua casa.

“A gente tem pedido muito delivery de comida e isso já produz muito lixo. E isso está acontecendo pois não estamos indo para a rua. Então essas novidades que a gente comia na rua estamos pedindo em casa”, contou.

Os estabelecimentos fechados, por conta do isolamento social, também são propícios para o aparecimento de roedores nas ruas, insetos e baratas. Segundo a Aprag foi possível perceber um aumento populacional desses vetores e a migração de alguns, como roedores. No caso das lojas que estão retornando ou mesmo as que ainda permanecem fechadas, a Aprag recomenda a contratação do trabalho de uma empresa especializada, porque serão usadas técnicas e equipamentos adequados para combater a presença de vetores de pragas urbanas, diminuindo assim os riscos para clientes e trabalhadores.

“Eles não estavam encontrando um ambiente favorável, com alimentação e abrigo em determinados locais que estavam fechados, e começaram a migrar para outros locais, aumentando assim sua população”, frisou o vice-presidente da associação, Sérgio Bocalini.

A Prefeitura de São Gonçalo afirmou que de janeiro a maio desse ano foram registrados 236 casos de dengue contra 724 em 2019. Já em relação a zika foram três contra 149 em 2019 a chikungunya tiveram 129 casos no mesmo mês em 2020 contra 1.183 em 2019. Também questionadas, as prefeituras de Niterói, Itaboraí, Maricá e Rio Bonito não informaram dados da doença até o fechamento dessa edição.

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