Alunos enfrentam dificuldades na preparação para o Enem

Camilla Galeano

Devido à pandemia da Covid-19, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi adiado em 77 dias. Os 5.783.357 candidatos inscritos vivem um drama: Como se preparar para o grande dia tendo que estudar sozinho e, muitos deles, sem acesso a um material de qualidade?

A suspensão das aulas presenciais para conter o avanço dos casos exigiu ainda mais autonomia, organização e foco para o estudo on-line. Alguns alunos sentiram dificuldade no início e demoraram a se adaptar a nova rotina de estudo. É o caso de Jucimara Alves, de 22 anos, que mora no bairro do Cubango, em Niterói. Ela até pensou em desistir, mas o sonho de entrar na faculdade de Odontologia falou mais alto.

“Acho que todos os meus amigos pensaram em desistir em algum momento. Eu consegui um cursinho online gratuito, mas a internet onde eu moro não é muito boa. Demorou até eu conseguir acompanhar as aulas. Meus amigos que também farão a prova pensaram várias vezes, assim como eu, em desistir. Mas resolvemos nos apoiar e estudar juntos, por mensagem, por ligação, da forma que dava”, conta.

Para o Gustavo Torquatto, de 24 anos, morador de Maricá, além da dificuldade de estudar sozinho, a ausência de equilíbrio emocional, envolvendo a pandemia, atrapalhou bastante.

“Estudar sozinho é um ponto. Mas existem obstáculos maiores. Tem a questão de que todos os problemas externos impactam no nosso rendimento. Por exemplo, o vestibulando por si só já é ansioso. A pandemia de Covid-19 potencializou essa ansiedade. Tem também o temor e a preocupação das provas serem adiadas de novo, e também a preocupação de fazer a prova da forma mais segura possível seguindo as medidas de prevenção”, explica.

Com o fator psicológico pesando, algumas pessoas desistiram de realizar a prova por não se sentirem preparadas. É o caso do Gabriel Lucedino, de 19 anos. Mesmo pagando a inscrição, ele preferiu só fazer a prova no próximo ano.

“Eu vejo isso como honestidade intelectual. Não acho que seria capaz de fazer este ano e decidi postergar. Perdi três pessoas da minha família para a covid. Não me senti bem psicologicamente para estudar e não ia conseguir dar o meu melhor. Achei melhor deixar para o próximo ano”, explica.

A psicóloga Luciene Gilvan alerta que, na reta final, não é preciso aumentar o ritmo de estudo.

“Quem traçou um plano de estudo e está seguindo isso desde o início, não precisa virar a noite estudando agora que falta pouco mais de uma semana para a prova. É necessário manter o padrão de atividades, de sono, de alimentação e de estudos. Deixei claro para alguns pacientes que atendo online e vão fazer o Enem, foi um ano totalmente atípico, não se cobre. Se esse ano não conseguir, tudo bem. Você terá outra chance”, explica.

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