Alunos da rede estadual foram matriculados de forma compulsória em turmas noturnas

Cerca de 20 mil alunos da rede pública começaram o ano de 2019 fora da sala de aula. Para minimizar o problema, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) abriu em março turmas extras. No entanto, das 9.754 vagas disponibilizadas, mais de 70% foram para o turno da noite. Segundo o defensor público Rodrigo Azambuja, os alunos foram matriculados de forma compulsória, ou seja, sem a possibilidade de escolha. A informação foi divulgada durante audiência pública da Comissão Especial da Juventude da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quinta-feira (02).

Para a defensoria esse não é o cenário ideal para mais de 5.600 jovens, entre 13 e 16 anos, matriculados nessas turmas. “Temos dois problemas com essa política. A primeira é a dificuldade que esse aluno encontra para chegar à escola, tendo em vista a violência urbana. Ele sai às 22h da instituição e precisa passar por locais perigosos até chegar à sua casa. Há também prejuízos pedagógicos. Segundo estudos do Instituto Ayrton Senna, no turno da noite as notas são muito baixas em razão da dificuldade no aprendizado, além do alto índice de evasão escolar. Temos que levar em consideração que o aluno não escolheu estudar nesse horário”, explicou Rodrigo.

Turmas fechadas
Segundo a coordenadora do Interior do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE), Maria da Conceição Ferreira Nunes, com a justificativa de evasão escolar, o estado fechou 1.147 turmas entre os anos de 2016 e 2018. Em dez anos, de 2007 a 2017, a oferta de vagas foi diminuída em 40%. “Essa é uma tragédia anunciada. Nós estamos denunciando o fechamento de turmas, turnos e escolas abandonadas há muito tempo. Não existe falta de espaço para colocar os alunos em sala de aula, o que falta é contratar mais professores, reabrir os turnos, e distribuir melhor as verbas”, relatou Maria da Conceição.

O secretário de Estado de Educação, Pedro Fernandes, não compareceu à reunião e a presidente da comissão, deputada Dani Monteiro (PSol), disse que vai encaminhar um ofício à secretaria solicitando respostas às questões apresentadas no encontro. “Queremos saber do secretário os dados exatos sobre a evasão escolar no estado e solicitar a abertura do sistema da matrícula fácil. Também vamos propor a retomada do processo de autonomia pedagógica das escolas, para que a direção possa gerenciar a abertura ou fechamento de turmas. Poderíamos ter avançado muito mais se o secretário estivesse na reunião. Mas vamos oficiar a Seeduc sobre esses fatos”, garantiu a parlamentar. Também estiveram na reunião as deputadas Mônica Francisco e Renata Souza, ambas do PSol.

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