Alunos com com limitações físicas são bem recebidos por escolas

Raquel Morais –

O Colégio Pedro II, no Barreto, é referência em ensino no município e agora está mais inclusivo do que nunca. O Campus Niterói recebeu o primeiro estudante cego da rede da Região Metropolitana, que já visitou o Núcleo de Atendimento à Pessoa com Necessidades Específicas (Napne) e o Laboratório de Química. Yan Christian David da Silva estudava no Instituto Benjamin Constant e agora faz parte do time do CP2, que está sem aulas devido a conselho de classe, mas com retorno marcado para o dia 11. E quando o assunto é adaptação e inclusão, até os canhotos, que não são considerados deficientes mas que passam por constrangimentos, também ganham direitos na esfera pública.

As atividades de recepção foram aprovadas pelo novo aluno. “Foi bem legal e bem organizado a ambientação realizada. A maquete estava bem escrita, a tabela periódica em braille também é bem interessante. Achei a sala bem grande, assim dá para passear e passar pela sala tranquilamente, com bancadas. Gostei muito do laboratório. Me diverti com a proposta do jogo de dominó químico foi bem maneiro!! Dá para me adaptar bem”, afirmou Yan.

No Laboratório de Química, a técnica de laboratório Luana da Silva Sampaio apresentou a Yan alguns materiais adaptados para deficiência visual, como o soroban, o minidominó químico em braille e a tabela periódica em Braille, desenvolvida pelos próprios alunos do campus, durante a oficina de braille, realizada em 2015. “Achei a atividade excelente porque pude ver os conhecimentos que ele já tem e os que ele não tem. Pude ver também como ele se movimenta no laboratório e os cuidados que eu vou precisar ter durante as aulas”, comentou.

Em relação aos canhotos, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informou que as instituições da rede pública de ensino do estado podem ser obrigadas a disponibilizar cadeiras adequadas a eles. A medida foi determinada pelo projeto de lei 3.081/10, do deputado André Lazaroni (MDB). “No campo da educação, uma das dificuldades mais listadas pelos canhotos é a ausência de carteira escolar com braço esquerdo. Isso é antiquado, reflexo de uma época em que se costumava forçar os alunos a usar a mão direita, e precisa ser corrigido. A preferência lateral da criança precisa ser respeitada”, argumentou.

REDE MUNICIPAL
Na manhã de ontem uma manifestação contra a educação municipal inclusiva movimentou o Centro de Niterói. Famílias de alunos com deficiência estiveram em frente à Câmara dos Vereadores pedindo atenção para esses alunos especiais. A Prefeitura de Niterói informou que conta hoje com uma das maiores redes de educação inclusiva do Estado. Em virtude desse atendimento diferenciado, tem atraído nos últimos anos estudantes de escolas particulares e de famílias que se mudaram para o município em busca do serviço. São cerca de 1.220 alunos e 500 professores especializados para atender crianças com necessidades especiais. Só em 2018, foram aproximadamente 200 novas matrículas. Além dos professores de apoio, as turmas contam com professores titulares e auxiliares. Por lei, as crianças com necessidades especiais têm prioridade de matrícula, portanto, podem escolher a escola de preferência.

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