Altas temperaturas mudam a rotina em empresas e órgãos públicos

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) levou em consideração o calor incessante do verão que chega fácil aos 40 graus na cidade e decidiu livrar do terno e gravata os advogados que atuam na Corte, inclusive nas sessões do colegiado. O ato, que entrou em vigor na quarta-feira, 26 de janeiro, foi assinado pelo presidente do TRE do Rio, desembargador Carlos Eduardo da Fonseca Passos, e pelo vice e corregedor regional, Carlos Santos de Oliveira.

Os magistrados decretaram a dispensa do ‘uso de terno e gravata no exercício da advocacia, inclusive em audiências e no segundo grau de jurisdição’. O alívio para os causídicos vale até 28 de fevereiro, quando este ano começa a chega o outono (dia 20 de março) e a previsão é de temperaturas menos agressivas.

Até lá, os advogados deverão observar o traje social, com uso de ‘camisa devidamente fechada’ para despachar, participar de audiências e sessões de julgamento, e transitar nas dependências das unidades da Justiça Eleitoral.

Além de considerar que ‘a temperatura no verão do Rio de Janeiro tem atingido quase 50 graus’, os desembargadores afirmam que ‘o Conselho Nacional de Justiça definiu que é de competência dos Tribunais locais a regulamentação dos trajes a serem utilizados em suas dependências’.

O advogado Gabriel Rabello, comemorou a dispensa da gravata.
“Tirei o acessório sim. Essa é uma formalidade que não combina com o brasileiro”, comentou.

Mesma opinião do bancário Marcelo Delatorre Campos, gerente de contas de negócio de um banco em São Francisco, em Niterói. Ele disse que o banco liberou a gravata em casos que não pedem tanta formalidade.

“O sol aqui é o ano todo. Por isso, nosso comportamento na hora da vestimenta vai de acordo com o cliente”, declarou ele, que, em companhia dos colegas, algumas vezes aproveita o horário de Verão para sair com os colegas e aproveitar a bela paisagem na orla.

Outra profissão que já liberou alterações no uniforme por causa do sol é a de motorista de ônibus. O condutor Joelson Matias, de 52 anos, disse que não vê a hora de pôr em prática os novos uniformes que até o momento não se tornaram uma realidade na categoria.
“Trabalho há 14 anos sempre começando cedo e enfrentando os horários mais quentes do sol. Não vejo a hora de trabalhar de camiseta de algodão e bermuda”, disse.

Em meados de 2015 a NitTrans, por meio de portaria, autorizou o uso de bermuda para motoristas de táxi, de ônibus e para os cobradores dos coletivos de Niterói até o dia 31 de março. A medida visa o bem-estar dos trabalhadores nos dias de calor intenso. O uso da bermuda é opcional, portanto o funcionário pode optar em vestir outro uniforme. Já no fim de 2016, a prefeitura do Rio de Janeiro publicou decreto que liberou motoristas de ônibus e de táxis a trabalharem de bermuda. A medida abrange ainda condutores de vans e Kombis credenciadas e trocadores de ônibus. Segundo outro motorista Wagner Gomes, o projeto vem em boa hora, na medida em que parte da frota de ônibus é composta por veículos com motor dianteiro.
“Os termômetros estão registrando a temperatura de até 42,3 graus, com sensação térmica superior a 46 graus”, ressaltou.

Procurado, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Trasportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), Rubens dos Santos Oliveira, disse que sobre o uso de bermudas, o Sintronac não tem nada contra, desde que seja a empresa que forneça os uniformes.

“Há uma cláusula no Acordo Coletivo, que prevê, a cada quadrimestre, o pagamento de R$ 120, 27 a título de custo para os uniformes para os rodoviários. Esse valor teria que ser aumentado ou as empresas forneceriam os uniformes”, concluiu o presidente.

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