Além da pandemia, é preciso estar atento às intoxicações alimentares de fim de ano

Augusto Aguiar

Com a chegada das datas comemorativas de fim de ano, além da preocupação com os cuidados relacionados à pandemia da Covid-19, a população também precisa estar atenta para os chamados “excessos” e abusos alimentares, que podem acarretar casos sérios de intoxicação e alergias. Especialistas orientam que o melhor acompanhamento para a mesa farta e variedade alimentar deve ser mesmo a prudência e o equilíbrio no consumo, tanto no consumo de comida quanto bebida.

Além das recomendações sanitárias da Covid-19, outras também são atribuídas para a alimentação nesse período, quanto ao preparo, conservação e consumo dos alimentos, geralmente ricos em calorias.

Para algumas pessoas, sobretudo as mais sensíveis a processos alérgicos alimentares a recomendação é prudência e cuidado.

“Crustáceos, principalmente como o camarão, por exemplo, quem tem passado de alergia, tem que evitar ao máximo. Vinhos e bebidas fermentadas têm corantes na sua composição, conservantes, que induzem a uma resposta imunológica, uma hipersensibilidade. Tem que ser evitados os exageros com bebidas alcoólicas, que acontece muito nessa época do ano, onde infelizmente as emergências recebem pacientes em comas alcoólicos. E nesse momento, o paciente corre o risco de também contrair uma infecção. Que se divirta, que comemore, consumindo alimentos leves, saladas de alimentos à base de proteínas de aves, desde que tenha certificado de inspeção federal. Cozinhe os alimentos potencialmente alergênicos, se não tiver um passado de alergias. Se tiver, não coma”, orientou o médico alergista Marcello Bossois, coordenador técnico do Brasil Sem Alergia.

Ele afirmou que ainda que a primeira coisa antes de se pensar numa alergia relacionada a um determinado tipo de alimento,é qualidade do mesmo. Não são todas pessoas que tem processo alérgico aos alimentos.

“A maioria dos pacientes passa mal por causa da qualidade, principalmente de origem animal, nessa época do ano, onde faz muito calor. Ele se estraga com muita facilidade e bactérias contidas na nossa pele, no nosso cabelo a às vezes na manipulação do alimento, desde a sua produção até o seu consumo, pode ocorrer a contaminação. Mesmo o paciente limpando bem os alimentos, cozinhando bem, a toxina permanece. O primeiro cuidado que o paciente tem que ter é na produção. Todo alimento de origem animal tem que ter o selo, o certificado de inspeção federal, que pe do ministério da Agricultura, que dá uma certa segurança pelo menos na produção e no beneficiamento”.

O médico alergista enfatizou ainda que após o alimento ser retirado da embalagem, é preciso ter todos os cuidados de higiene, sobretudo com as mãos, mantê-lo conservado, congelado, para que as próprias bactérias (das carnes no caso) não possam se proliferar, e finalmente prepará-los adequadamente.

“A intoxicação pode provocar vômitos, diarreias, pode causar placas avermelhadas no corpo, do tipo urticária, etc.Tem pacientes que tem histórico de alergia, e até aquele que não tem, é importante não consumir demasiadamente alimentos alergênicos. Quem tem histórico de alergia, melhor não consumi-los de forma nenhuma”. Sobre exemplos de alimentos alergênicos, o médico citou o leite, o trigo, soja, cacau, amendoim,carne de porco, e ovos, sendo que esse último, último, de acordo com ele com grande potencial. “Quando você cozinha esses alimentos, eles perdem parcialmente esse potencial, porque existem algumas proteínas desses alimentos que são termo-instáveis. Quando são submetidas ao calor, elas  mudam sua conformação e diminui o potencial alergênico, mas algumas proteínas permanecem e podem causar alergias”.

Outro problema abordado pelo médico é a chamada intolerância à lactose e ao glúten, mais recentemente aos chamados “fodmaps”. “São determinados alimentos que tem carboidratos na sua composição, que são muito utilizados na ceia de Natal. Por exemplo, as frutas. Todas tem carboidratos. Em alguns pacientes, servem para alimento para as bactérias, que começam um processo de fermentação, produzindo gás e fermentação gastrointestinal, levando a diarreia e o aumento do volume abdominal. Tem que tomar cuidado com isso. Para tudo é necessário moderação”.

Também referindo-se ao assunto do momento ele alertou o fato de pacientes chegarem nas unidades hospitalares para tratar-se de um determinado problemas de saúde, e acabar contraindo outro, potencialmente pior.

“Nesse período de pandemia, onde as emergências estão lotadas, devido ao risco de Covid-19, agora surgiu o chamado superfungo, que tem atormentado os pacientes, que estão internados nos CTIs, onde o número de mortalidade de quem contraiu esse fungo é altíssimo. A gente precisa tomar o máximo de cuidado em relação as ceias de fim de ano. O que a gente orienta é que os pacientes tentem substituir cardápios  calóricos por mais leves. Porque o próprio índice glicêmico associado ao calor intenso já leva ao problema de saúde. Ao consumir alimentos, como ovos, por exemplo, deve-se consumi-los cozidos. Quando você cozinha o alimento, tira o potencial alergênico. Isso é chamado backerfood, ou comida cozinhada (em inglês), termo usado no meio científico”, concluiu Marcello Bossois.

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