Alberto Torres é o hospital com mais profissionais contaminados com Covid-19 no Estado

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgo um levantamento que aponta o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, como a unidade hospitalar do Estado com maior número de profissionais de Saúde contaminados pelo coronavírus. São, ao todo, 234 casos, entre positivos e suspeitos.

Na estarrecedora estatística, o hospital aumentou, em 59 casos, o número de infectados no intervalo de uma semana, desde o domingo passado (3), quando registrou 175 profissionais que testaram positivo para o coronavírus, na linha de frente de combate a doença no Estado. Nessa totalização, segundo a SES, o Estado contabilizou 1.496 (anteriormente eram 1.169) profissionais da rede que foram afastados do trabalho por suspeita ou confirmação de terem contraído a Covid-19. A totalização representa 7,7% de todo o quadro que estava em atuação nas unidades estaduais do Rio.

Nas mesmas condições, outros 114 profissionais foram afastados no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, com quatro casos a mais no mesmo período. O levantamento também apontou o total de trabalhadores infectados em outros hospitais da rede: Hospital Estadual Adão Pereira Nunes – 224; Hospital Estadual Carlos Chagas, 126; Hospital Estadual Getúlio Vargas, 62; Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart – 47; Instituto Estadual do Tórax Ary Parreiras – 45; Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião – 44; Instituto Estadual do Cérebro – 24; Hospital Estadual Anchieta – 14; Unidades de Pronto Atendimentos (30 unidades) – 540. Nas UPAs, a soma dos casos era 396.

Também no início da semana o número óbitos pelo coronavírus entre os profissionais de saúde no Rio estaria em torno de 25, quando apenas três dias antes eram 12. Na segunda-feira (4) por uma decisão judicial, os profissionais de enfermagem, acima de 60 anos ou que integram o chamado grupo de risco de contrair a Covid-19 estão sendo afastados de suas funções, que exijam contato direto com casos suspeitos ou confirmados da doença em unidades da União. A Justiça atendeu a solicitação do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), justificando o alto risco e a atual situação dramática dos profissionais de Saúde.

Drama anterior à pandemia

“Precisou eclodir uma pandemia para que muita coisa viesse à tona na área de Saúde brasileira. Muito do que o Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região tem reclamado, em denúncias ao Ministério Público do Trabalho, congressos, ofícios ao poder público e na mídia, tornou-se evidente nesses dias de Covid-19. Como a doença, em si, é um assunto complexo, falo do descaso do sistema público com a Saúde, que há décadas estressa pacientes e profissionais. Nossa realidade diária no atendimento médico público, e isso não é de hoje, sempre foi crítica. Não só o médico, como todos os profissionais de Saúde, saem de casa para o trabalho sabendo que vão encontrar uma infraestrutura ultrapassada, carência de insumos, medicamentos, equipamentos, EPIs, tomógrafos e demais aparelhos de imagens, além do número de leitos aquém do padrão perto do normal”, afirmou Clóvis Abrahim Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região (Sinmed).

Ele acrescentou que os profissionais de Saúde sempre foram “negligenciados pelos governos que nunca abonaram dignamente o pessoal do front”, referindo-se sobretudo aos cumprem plantão nas emergências e nas UTIs, fazendo o que podem, “muitas das vezes utilizando sua criatividade com métodos artesanais para salvar vidas quando não existe material apropriado no hospital”.

Ele afirmou ainda que o “descalabro” fica evidente quando são publicados editais para concursos públicos, oferecendo salários aviltantes, com média de R$ 2 mil para médicos de diversas especialidades, com cargas horárias de 20 a 24 horas semanais, com agravante de alguns municípios de nossa base não abrirem concurso há mais de dois anos, transferindo a gestão para Organizações Sociais, que não dão estabilidade ao profissional e, muitas das vezes, pouca segurança trabalhista.

“Assim é a vida do médico nas unidades de Saúde. Fora delas, este profissional paga impostos, aluguel, água, luz, telefone, cursos de aperfeiçoamento, vestuário, cuidados médicos próprios, alimentação, entre tantas outras despesas. Por isso o Sinmed mantém há décadas, junto aos órgãos que administram as unidades de Saúde, a sua bandeira por melhores salários e condições de trabalho”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, foi preciso o aparecimento do coronavírus para que o problema fosse evidenciado

“Com tanto dinheiro que apareceu nos cofres públicos, sendo aplicado na compra de equipamentos e medicamentos, fica uma dúvida no ar: porque não fizeram isso antes? Por que não houve esse investimento em unidades de saúde, com abastecimento normal de insumos, EPIs, medicamentos e salários dignos? Não precisaríamos, médicos, profissionais de saúde e pacientes, vivermos neste inferno diário, trabalhando à exaustão para salvar pessoas que morriam nas calçadas ou em corredores por negligência dos políticos. Que essa pandemia seja um divisor de águas que provoque um surto de bom senso nos nossos gestores que, passada essa crise, os profissionais da saúde, assim como, a Saúde Pública, continuem recebendo atenção e respeito. Que o momento atual, com esse fabuloso investimento na Saúde Pública não seja efêmero e nem eterno enquanto dure. Por enquanto, fiquemos com o afago e reconhecimento da população, quando, em várias ocasiões, cidades brasileiras registraram aplausos aos profissionais de saúde que atuam no combate à pandemia”, finalizou Clóvis Abrahim Cavalcanti.

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