Agosto dourado mostra a importância da amamentação

A campanha ‘Agosto Dourado’, de incentivo à amamentação, está chegando ao fim mas a importância de falar sobre o assunto não sai de moda. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontam que cerca de seis milhões de vidas são salvas por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de idade. Mas nem tudo são flores quando o assunto é ‘dar de mamá’. Resiliência e persistência andam juntas com milhares de mamães que lutam para conseguir amamentar seus pequenos.

A jornalista Roberta de Souza, de 40 anos, engravidou aos 38 anos de Miguel, passou pelo processo de amamentação mas não foi por muito tempo.

“Não produzi muito leite e o Miguelzinho ficou os primeiros 11 dias no hospital, por ter nascido com 34 semanas. Todos os dias eu ia amamentar, mas tinha pouco leite. Para a segunda mamada nunca tinha o suficiente. Então, aos poucos, ele foi largando o peito. Queria muito amamentar e era uma delícia sentir meu pequeno se alimentando, tão juntinho de mim”, frisou a moradora de Maricá.

A cantora e compositora Giovana Adoracion, 28 anos, continua amamentando seu filho Noah, que está com 1 ano e 7 meses.

“A amamentação é a melhor coisa para o início da vida do bebê. Ela não é boa somente para a nutrição e alimentação do bebê. É boa para o desenvolvimento dos músculos da boca e da face, por exemplo. A imunidade pode ser passada através do leite. Amamento até hoje e não pretendo tirar ‘o peito’ agora. Quero fazer uma transição gentil e por enquanto não sei quando vou desmamar. O aleitamento materno também ajuda na criação com apego e também fortalece vínculo entre mãe e filho”, contou.

A recepcionista Renata do Prado Martins Gongô, de 30 anos, desenvolveu um abscesso mamário e teve que ficar internada 11 dias, além de ter passado por uma cirurgia de drenagem. Também foi preciso retirar tecido mamário, permanecendo em tratamento por quatro meses até que o abscesso cicatrizasse.

“A princípio, não achei que fosse algo tão grave, mas quando me disseram que eu deveria ficar internada, conforme foram passando os dias, foi complicado aceitar. O Antoni Thiago estava com 29 dias de nascido, eu internei um dia antes de o meu filho completar um mês de vida”, relatou a moradora do Pacheco, em São Gonçalo.

Renata tentou por dois anos amamentar seu primogênito, mas não consegui. A oportunidade de passar por essa experiência veio com a pequena Antonela, sua segunda filha que no nascimento mostrou que veio para fazer história. Renata estava com 38 semanas de gestação, entrou em trabalho de parto e pariu dentro do carro a caminho do hospital, na Avenida Alzira Vargas, próximo a entrada de Santa Luzia.

“Eu estava indo para o hospital e estava em trabalho de parto. Meu pai estava dirigindo o carro, eu estava no banco da frente e minha irmã no banco traseiro. Eu senti que não ia aguentar e foi o que aconteceu, minha filha nasceu dentro do carro. Consegui amamentar ela e deixo um recado para as outras mães para elas não desistirem. Não é fácil, é doloroso, mas vai passar e vai dar certo. Essa é a maternidade real”, finalizou.

De acordo com a ginecologista e obstetra Daniela Gomes Machado Selano, um abscesso mamário é um problema comum em mulheres de 15 a 45 anos, principalmente naquelas que estão amamentando.

“Trata-se do acúmulo de pus na mama, decorrente da complicação de uma infecção, normalmente causada por uma bactéria, que não foi tratada ou recebeu tratamento inadequado. É preciso ficar atenta a sintomas como dor, inchaço, vermelhidão e a temperatura da mama, pois eles podem indicar agravamento da infecção”, explicou.

Mamãe de primeira viagem, a gestante Clarice Loureiro, que está com 23 semanas, conta que está estudando muito para esse momento.

“O momento da amamentação é sempre de muita expectativa para a mãe, um momento único com filho, ainda mais sendo a primeira gestação. Dá um certo medo, pois quando começa a ler sobre o assunto vê que não é tão simples, machuca e a pegada tem que ser correta. Procuro me informar bastante, não criar expectativas irreais e tiro minhas dúvidas com a minha obstetra. Existem cursos específicos para isso e com certeza vale a pena fazer depois que o bebê chegar. O que eu tenho feito é tentar pegar sol nos seios para deixá-los preparados, também não se deve usar o óleo para as estrias no bico, somente em volta”, contou a mamãe da Gabriela.

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