AFR: 60 anos lutando pela qualidade de vida

Anderson Carvalho –

Com 60 anos de fundação completados no último dia 25, a Associação Fluminense de Reabilitação (AFR), que funciona na Rua Lopes Trovão, 301, em Icaraí, tem o que comemorar, embora também esteja preocupada com o futuro. Atendendo a 1.600 pessoas por mês provenientes de 58 municípios do Estado – sendo mil apenas pelo Sistema Único de Saúde – e doando mais de 500 órteses (como cadeiras de rodas e muletas) e próteses (pernas mecânicas) a pacientes encaminhados pelo SUS, vai inaugurar no fim do ano a Unidade de Reabilitação e Atendimento Educacional Especializado Lisaura Ruas, em São Domingos. Por outro lado, por falta de verbas, luta para manter os serviços.

“A AFR foi criada por um grupo de pessoas voluntárias que queriam combater o surto de poliomielite que assolava o mundo inteiro na época. No ano passado, fizemos mais de 275 mil atendimentos e dispensamos 6.405 órteses e próteses e meios auxiliares de locomoção. Estamos nos preparando para realizar no dia 9 de agosto a 32ª edição do Jantar Garçom Caixa Alta, para arrecadarmos recursos para a associação”, informou o superintendente da instituição, Telmo Hoelz.

Os atendimentos mais comuns são para pessoas com paralisia cerebral, AVC (Acidente Vascular Cerebral), Síndrome de Down, autismo, sequelas traumaortopédicas e deficiências físicas em geral. Os pacientes do SUS são encaminhados via Central de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde.

Outros serviços médicos são de Fisiatria, Geriatria, Ortopedia, Psiquiatria, Reumatologia. Os Serviços em Reabilitação são: Eletroterapia, Termoterapia, Enfermagem, Fisioterapia Geral e Infantil, Fisioterapia Respiratória, Fisioterapia Uroginecológica, Fonouadiologia Geral e Infantil, Grupo de Apoio, Massoterapia, Nutrição, Oficina Ortopédica, Pilates, Programa Reintegrar, Psicologia Geral e Infantil, Psicomotricidade, Psicopedagogia, RPG, Serviço Social, Terapia Ocupacional Geral e Infantil. Funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

Porém, alguns serviços podem diminuir. “Há dez anos que o Ministério da Saúde não reajusta os valores dos atendimentos pelo SUS nem os recursos usados para a dispensação de órteses e próteses que fazemos aqui. Neste caso, a defasagem hoje é de 80%. A cadeira de rodas do tipo monobloco, que compramos em fábricas do Rio, não temos mais. Faltam recursos. Por enquanto, ainda conseguimos fazer os atendimentos”, contou Telmo, acrescentando que todos os anos pede ao governo federal para reajustar os valores. Em vão.

Para se manter, a AFR, que é uma instituição sem fins lucrativos, conta com doações de empresas e cidadãos comuns, além de convênios governamentais e emendas parlamentares. Outra fonte é o Jantar Garçom Caixa Alta. A edição deste ano será no Clube Naval, a partir das 20h30. Contará com 500 convidados, membros da sociedade niteroiense, que contribuem através da compra de convites, para melhorias na Associação. A banda Blood Mary & Munsters fará show na ocasião. Para conseguir mais recursos, a direção da instituição mandou imprimir dois mil exemplares de um folder que é distribuído a empresários e amigos da AFR pedindo apoio.

A unidade que está sendo construída em São Domingos, na Rua General Osório, 59, será para o atendimento de 200 crianças com deficiências intelectuais. O custo da obra, iniciada em 2012, é de R$ 1 milhão, conseguidos através de emenda parlamentar do deputado federal Sérgio Zveiter (PSD).

A aposentada Vicentina Rímola Leal leva o neto Miguel Henrique Leal, de 7 anos, que tem Síndrome de Down toda semana para fazer terapia ocupacional, psicologia e psicomotricidade. “Aqui é muito bom. Os funcionários são muito atenciosos. Uma vez por semana venho para atendimento com psicólogo”, elogiou.

O fisioterapeuta Daniel Santos de Castro, de 35 anos, trabalha no local desde 2003. “Comecei como estagiário em massoterapia e fui contratado inicialmente neste setor. Em 2010, formado na minha área, fui contratado como fisioterapeuta. “Aqui é uma grande oportunidade de crescimento profissional. Além de ter flexibilidade de horário para quem quiser fazer curso de especialização”, contou.

A assistente social Fernanda Guida, também de 35 anos, trabalha na AFR há dez anos. “A gente trabalha com a expectativa de melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Dá muito orgulho trabalhar aqui”, comentou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *