Advogado propõe acordo com traficantes para acabar com desfile de fuzis

Geovanne Mendes –

Em meio a tantos casos envolvendo a segurança pública do estado do Rio, com mortes de cidadãos e policiais militares e civis em uma verdadeira guerra civil, uma entrevista a uma rádio na manhã desta terça-feira (19) deixou a população do estado e a imprensa nacional e internacional sem saber se o que estava ouvindo era verdade ou não. O presidente da Comissão de Segurança Pública da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), o criminalista Jaime Fusco, que também defende a liberdade de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, acusado de ser o ex-chefe do tráfico na Rocinha, comunidade essa que sofreu no último domingo uma tentativa de invasão de traficantes de outra facção para a tomada do poder no local, disse que uma das saídas para reduzir a criminalidade no estado do Rio de Janeiro é propor pautas de negociações com os chefões presos. Segundo ele, somente assim seria possível acabar com o desfile de fuzis no Rio. O representante da Abracrim disse inclusive, que uma reunião já estaria agendada junto a Secretaria estadual de Segurança Pública nesta sexta-feira para tratar do assunto.

Durante a entrevista, Jaime Fusco falou sobre a atual situação da segurança pública do estado, fez críticas a política atual que, para ele, trata-se de uma política de enxugar gelo. O advogado negou que estivesse no momento da entrevista como advogado de “Nem” e sim como cidadão e representante da Abracrim. Jaime citou a guerra do último final de semana, que deixou quatro pessoas mortas. De acordo com os vídeos que circulam pelas redes sociais, os traficantes não se intimidaram em nenhum momento com a presença dos policiais militares. Os PMs não reagiram, se abrigaram e se esconderam. Um vídeo feito pelos próprios militares em uma pizzaria mostra os policiais recomendando aos colegas que se escondessem.

“A Abracrim tem como proposta de abrir essa discussão, mas de uma forma republicana, ou seja, de uma forma aberta e não de uma forma camuflada, não de uma forma dissimulada. Porque nós temos muito a propor, a acrescentar em uma política de segurança pública que ao longo de décadas, a gente vem assistindo no Rio de Janeiro, enxugar gelo. As cenas que mostram os policiais acuados, diante de traficantes e seus fuzis mostram uma forma correta de agir dos PMs, pois em caso de confronto inocentes e policiais seriam mortos. Nós devemos ter um diálogo, uma negociação direta com a Secretaria de Segurança, Ministério da Defesa, para solucionar o problema do Rio. Se isso implica em eventual acordo, com esses grupos criminosos quem vai definir isso, é justamente esse debate”, disse o advogado criminalista Jaime Fusco.

Por telefone, o presidente da Abracrim-Rio, James Walker Júnior, repudiou a entrevista dada por Jaime Fusco. Segundo ele, o advogado não tinha legitimidade e autorização da entidade para a referida entrevista e teme que a imagem da Abracrim seja arranhada, diante das medidas propostas pelo advogado.

“Ele é membro da Abracrim, presidente da comissão sobre segurança pública, inclusive nomeado por mim, porém essa manifestação de ideias feitas por ele foi uma confusão entre o Jaime Fusco advogado do Nem da Rocinha e o Jaime Fusco Presidente da Comissão de Segurança Pública. Em algum momento ele fez uma simbiose das atividades dele, gerando com isso, uma grande confusão daquilo que ele pretende individualmente, enquanto advogado do Nem, e aquilo o que a nossa instituição tem como plano estratégico para a proposição de medidas de segurança pública, ou seja, coisas extremamente distintas. A Abracrim nega qualquer tipo de acordo ou negociação com criminosos. Isso foi um equívoco pessoal, ele não tem mais autorização da Abracrim para esse tipo de diálogo, já que a Comissão da qual o advogado fazia parte foi, inclusive, dissolvida, em razão desse lamentável episódio”, concluiu James Walker Júnior.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança repudia a entrevista dada e nega qualquer reunião agendada para tratar deste tipo de assunto.

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