Advogado da família de Anderson do Carmo registra ameaça de morte

O advogado que representa a família da vítima Anderson do Carmo, compareceu no início da tarde de hoje (16) na Delegacia de Homicídios de Niterói (DHNSG) para registrar ameaças que teriam sido feitas a ele e a um colega de profissão durante a última audiência feita por conta do inquérito ao qual a deputada federal Flordelis responde na justiça. O advogado agora espera pela identificação dos autores dos atos cometidos na última sexta-feira. Nós tentamos contato com o advogado da acusada, Anderson Rollemberg, porém sem êxito. Já a assessoria da parlamentar se pronunciou através de nota.

“No estágio avançado da audiência eu tive a atenção despertada por umas pessoa que estavam platéia fazendo o gesto de uma arma na cabeça e fazendo sinal de positivo com a cabeça. Ele não fez isso somente uma vez, mas por diversas vezes. Só que eu não maldei essa situação. Eu achei que ele estava fazendo os gestos por estar assustado com os fatos que estavam sendo esclarecidos na audiência e eu tive o cuidado de falar com o promotor e a juíza sobre isso. No momento ele saiu da sala então para ficar melhor esclarecido eu falei com a juíza quando ele retornou e sentou na mesma posição onde ele estava”, relatou o advogado.

Ângelo Máximo ainda contou sobre não ter sido o único a sofrer retaliações.

“A juíza ficou observando, mas ele parou de fazer o gesto e ficou me encarando. Eu não liguei. Só que o meu colega, envolvido no processo, saiu para comprar um lanche, um energético, e quando ele saiu do Fórum ele foi seguido por dois seguranças da Flordelis. Seguido até o bar da Rua Visconde de Sepetiba com a Rua Coronel Gomes Machado. Na ida e na volta. Ele também irá vir prestar depoimento para esclarecer isso. Só que quando ele voltou do bar, ele omitiu esse fato para mim. Só disse que deveríamos deixar a mala com documentos no fórum por ela estar pesada e para pegarmos um carro de aplicativo. A juíza nos autorizou e eu não maldei. Só que quando nós saíamos da sala de audiência que adentramos o elevador, ele me contou a história da perseguição e eu fiz ligação com o ocorrido no plenário. Então concluí que aquilo no plenário havia sido uma ameaça e vim aqui na delegacia fazer o registro”, contou Máximo.

A espera do advogado agora é pela identificação do suspeitos com a solicitação das imagens das câmeras de segurança do plenário e do corredor do fórum para a apuração dos episódios. O advogado afirmou ainda que, se tratar de um Policial Militar, o crime sai da ameaça para a coação.

A assessoria da deputada Flordelis se pronunciou através de nota: “A parlamentar informa que não possui conhecimento sobre esse fato e alega que sua equipe é treinada e orientada a se comportar de forma cordial, se abstendo de expressar qualquer tipo de opinião pessoal, seja por palavras ou gestos. Todavia, ela assegura que esse fato será averiguado e se comprovada a sua veracidade, o responsável será punido, já que esse tipo de ação não reflete profissionalismo e nem tampouco condiz com as orientações dispensadas aos seus seguranças”.

Não é a primeira vez que ameaças são relacionadas a também cantora. Em setembro deste ano, a ex-patroa de Lucas César dos Santos, um dos filhos de consideração de Flordelis, Regiane Ramos, contou ao Ministério Público sobre uma bomba jogada na sua casa. A dona de uma oficina teria recebido de Lucas as mensagens que ele recebeu com a proposta para que ele participasse do homicídio. Lucas é acusado estar envolvido na obtenção da arma usada no crime e de reproduzir uma carta que teria sido ditada por Flordelis.

A testemunha também relatou sobre uma ameaça que teria sido feita por Adriano dos Santos Rodrigues, um dos filhos biológicos de Flordelis quando ele a teria expulsado da casa da parlamentar com uma vassoura e dito sobre ela ter que “se virar com Lucas”. Adriano foi preso por envolvimento na morte de Anderson.

Foto: Karoline Martins

A deputada Flordelis voltou a alegar inocência ao sair da sessão. Foram ouvidos no Fórum Desembargador Enéias Marzano, em Niterói, no dia último dia 13, os delegados Bárbara Lomba Bueno e Allan Duarte Lacerda, que estiveram a frente das investigações feitas pela Delegacia de Homicídios de Niterói em diferentes períodos, além de um perito à serviço do Ministério Público e dois policiais civis. No total as testemunhas de acusação somam 15 pessoas. Após depoimento ao promotor de justiça, as testemunhas foram inquiridas pelos advogados de acusação e defesa. A próxima audiência do inquérito que a deputada federal responde perante a justiça acontecerá no próximo dia 27.

“Eu sou inocente! Eu sou inocente! Eu sou uma mãe separada dos filhos. Será provada (inocência)”, disse a parlamentar ao sair da sessão.

Atualmente quem conduz o caso é o atual titular da especializada Bruno Cleuder em uma terceira fase das investigações. Nela são apurados os envolvimentos de Gérson Conceição de Oliveira, filho de Flordelis, e Gilcinéa Teixeira do Nascimento, conhecida como Néia, cozinheira da casa da família, em envenenamentos à vítima e os envolvimentos de Lorraine dos Santos, neta de Flordelis, e Marcio da Costa Paulo, suspeitos respectivamente de ocultar e destruir provas importantes do crime.

A Justiça enviou notificações a deputada sobre a audiência nos endereços de Flordelis no Rio e em Brasília e até mesmo através de um aplicativo de troca de mensagens devido a uma dificuldade anterior em notificar a acusada sobre o uso de uma tornozeleira eletrônica.

No dia 18 de setembro, a juíza Nearis dos Santos de Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, determinou que a deputada federal Flordelis fosse monitorada através do objeto e ficasse em recolhimento domiciliar das 23h às 6h. A parlamentar, os sete filhos, uma neta, um ex-policial militar e esposa do mesmo são os que figuram como réus na morte do pastor Anderson do Carmo assassinado quando chegava em casa.

Em 28 de outubro durante uma reunião da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados foi decidido sobre o envio do caso Flordelis ao Conselho de Ética. A decisão foi tomada de forma unânime pelos parlamentares e fez parte do andamento do rito que pode resultar na cassação do mandato da deputada e perda da imunidade parlamentar de Flordelis possibilitando a sua prisão pelo crime de homicídio de Anderson do Carmo. O então marido de Flordelis foi morto na garagem de casa no dia 16 em junho do ano passado em Pendotiba, Niterói. A imunidade parlamentar evitou a prisão de Flordelis pelo crime ao qual responde na justiça.

A análise do Conselho de Ética só acontecerá após o retorno das atividades do colegiado que parou as suas atividades em março deste ano por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus. O Conselho só retornará depois da aprovação de um projeto de resolução no plenário principal da Câmara. Um projeto de resolução também poderia trazer o retorno das atividades como as da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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