Advogada presa na Operação Salvator também responde por planejar resgate

Uma das presas durante a Operação Salvator, deflagrada na quinta-feira pelas Delegacias de Homicídios do Estado e Ministério Público do Rio, num condomínio na Praia de Icaraí, Zona Sul de Niterói, a advogada Tânia Monique Correa, apontada por envolvimento nas atividades na “franquia” do grupo miliciano de Orlando Curicica, em Itaboraí, responde a outro inquérito em liberdade, este instaurado pela Polícia Federal, há seis anos, quando ela também chegou a ser presa. A acusação foi de suspeita de associação para o tráfico. Na quinta-feira, Tânia foi presa junto com o marido, Maison César Santana, este acusado de se passar por policial civil. Rômulo Silva, promotor do Gaeco, um dos coordenadores da Operação Salvator, a confirmou a informação na manhã de sexta-feira (05).Tânia, de acordo com a polícia, era contratada para defender milicianos e traficantes.

Em 2013, durante as investigações para apurar um ousado plano para tentar resgatar o traficante Lindomar de Oliveira Brant, o Dodô, líder do tráfico em Itaboraí (Complexo da Reta), condenado em 2012 há 16 anos e 8 meses de prisão, Tânia foi presa acusada de planejar a ação, que resultou em confronto e na morte de um agente penitenciário. Também na época, outro advogado foi preso, acusado de lavagem de dinheiro de facção criminosa. O plano foi colocado em prática no mês de junho, quando bandidos fortemente armados com fuzis sequestraram dois caminhões que foram usados para bloquear a passagem de um comboio da Seap (Secretaria Especial de Administração Penitenciária) que trazia 11 detentos, entre eles Dodô. O comboio retornava do Fórum de Araruama, na Região dos Lagos, para o Complexo Penirtenciário de Gericinó, na Zona Oeste. Quando os agentes penitenciários passavam pela Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), altura de São Gonçalo, foram bloqueados e atacados a tiros. Houve confronto, e o agente penitenciário Antônio Pereira foi baleado e morreu. O plano não deu certo e Dodô não foi resgatado. O saldo do ataque, além da morte do agente da Seap, foi de três detentos atingidos por balas perdidas e um motorista que passava pelo local ficou ferido com estilhaços.

As investigações para apuração dos envolvidos no ataque tiveram início e, cinco meses depois, a Polícia Federal chegou até Tânia, que recebeu voz de prisão e passou a responder ao inquérito em liberdade. Os agentes federais apuraram durante a investigação que a advogada teria supostamente transmitido, em tempo real, todo o percurso do comboio que trazia Dodô de Araruama. No levantamento da PF, imagens teriam sido transmitidas a um outro criminoso. A polícia afirma que tudo foi feito com ordens dos chefões da facção criminosa a que Dodô é ligado.

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