Advogada acusa médico de importunação sexual em Niterói

Karoline Martins

Uma advogada, de 44 anos, denunciou nesta sexta-feira (23) um médico de 48 anos, que trabalhava na Unidade de Urgência Mário Monteiro (UMAM), em Piratininga, Niterói. Segundo relato da vítima, ela foi até a unidade de saúde nesta madrugada após passar mal e quando foi examinada sofreu assédio por parte do profissional. Constrangida, a advogada contou o abuso a uma enfermeira e posteriormente ligou para uma irmã relatando o crime. O caso segue sob investigação na 76ª DP (Centro). O médico foi preso e responde pelo crime de ato sexual mediante fraude. Os seus advogados informaram que o acusado nega todas as acusações. Sem direito a fiança, o delito tem pena prevista de dois a seis anos.

De acordo com o depoimento da mulher,  ela estava em casa quando sentiu uma coceira na costas e tomou dois comprimidos antialérgicos e seus medicamento de tratamento para depressão. Após adormecer por um tempo, a advogada relatou que acordou por volta das 3h com um incômodo do abdômen junto de uma coceira e depois observou erupções na pele. A mulher então decidiu comparecer na unidade de saúde.

Depois de passar por uma triagem, a vítima contou que relatou os seus sintomas para o médico e mostrou a sua barriga ao levantar a sua blusa. O profissional teria levantado ainda a peça de roupa da vítima deixando expostos os seus seios pois a mulher não usava roupas íntimas. A advogada relatou também que o médico elogiou o seu corpo. Por conta de erupções também na parte da virilha, a mulher disse, em depoimento, que abaixou a sua calça até a altura da coxa e o médico colocou a mão por dentro da sua roupa íntima dizendo “deixa eu ver melhor”. Em seguida a vítima informou a polícia que o médico introduziu o dedo em sua vagina.

Ainda em depoimento, a advogada contou que o médico passou a examinar as suas costas e perguntou a ela como a vítima fazia para se coçar.  Neste momento a mulher relata que o médico começou a coçar as suas costas e passou a dizer que ela deveria coçar da forma como ele a estava ensinando. A advogada disse ter sentido em seguida o médico encostar nela com uma ereção.

Ainda de acordo com o depoimento da denunciante,  o médico retornou a sua cadeira e a vítima reclamou sobre as atitudes do profissional. A advogada contou que percebeu que quando o médico sentou mexeu nas próprias partes íntimas. Em seguida o profissional passou o tratamento e a receita e quando a mulher estava prestes a sair do consultório, disse a vítima, o médico novamente pediu para examinar as suas costas e encostou na mulher com suas partes íntimas.

Segundo o relato da advogada, o médico passou uma injeção a ser aplicada na unidade de saúde e a perguntou se ela estava sozinha. A mulher  continuou a informar a polícia que abriu a porta do consultório para ir embora e novamente protestou sobre o assédio sofrido. O médico teria afirmado neste momento ter somente examinado a paciente.

A advogada contou que na sala de medicação ao apresentar o receituário a enfermeira disse que não havia solicitação médica para a injeção do medicamento (Fernergan). Porém a mulher disse a polícia que a enfermeira encontrou o medicamento em estoque e o aplicou. A denunciante relatou que a enfermeira informou sobre o medicamento ser aplicado nas nádegas. A vítima disse em depoimento que contou então a profissional de saúde sobre o ocorrido e em seguida ligou para a sua irmã. A familiar a orientou a procurar a polícia e foi até a advogada.

Segundo as informações dadas em depoimento,  o médico começou neste momento a dar explicações sobre o atendimento a paciente. A mulher contou ao médico sobre ter chamado a polícia e relatou em depoimento que o profissional foi atrás dela e de sua irmã e que a familiar evitou que o profissional se aproximasse. Em seguida policiais militares chegaram ao local e a ocorrência foi encaminhada para a delegacia do Centro de Niterói.

A direção da Unidade de Urgência Mário Monteiro (UMAM) informou através de nota oficial que repudia todo tipo de violência e preza por um atendimento humanizado. A equipe da unidade afirma estar colaborando com as investigações policiais. A direção da unidade também declarou que o médico envolvido no caso trabalhava na UMAM. Nesta quinta-feira foi o último plantão do profissional, que já havia solicitado desligamento do quadro.

Procurado para falar sobre o caso, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) respondeu, em nota, que “até o momento, o Cremerj não recebeu nenhuma denúncia sobre o assunto”.

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