Acusados de tráfico em condomínio de SG são condenados pela Justiça

Augusto Aguiar –

A 3ª Vara Criminal de São Gonçalo sentenciou, no dia 10 de maio, seis acusados de integrarem um grupo de traficantes que haviam montado pontos de venda de drogas nas dependências do Condomínio Vista Alegre, conjunto residencial construído com recursos federais do programa Minha Casa Minha Vida, no bairro do Mundel, em São Gonçalo. De acordo com inquérito aberto pela 74ª DP (Alcântara), em 2015, haviam várias denúncias sobre o grupo criminoso, que além vender drogas nas dependências do condomínio ainda cobrariam taxas dos condôminos à título de “segurança”. Na ocasião, quem ameaçava denunciar a ação dos marginais era ameçado de morte ou expulso do conjunto habitacional. Em maio de 2016 um policial militar foi assassinado por representar uma ameaça aos bandidos.

O juiz Rafael Rezende das Chagas, da 3ª Vara Criminal de São Gonçalo, condenou Carlos Alberto Mesquita Júnior, Patrick de Oliveira Rocha, Suelle Ferreira Coutinho, Anderson Ferreira Sales, Marcelo Ferreira Lima e Sérgio Teixeira a penas que vão de três a seis anos de prisão pelo crime de associação para o tráfico. Através de seu despacho, o juizado enumerou que Patrick chefiava a quadrilha, e por isso foi sentenciado a seis anos e cinco meses de prisão. Também, através de interceptações telefônicas, com autorização judicial, a justiça constatou que Patrick vendia drogas e armas e seria o gerente do tráfico. A mulher de Patrick, segundo a justiça, Suelle Ferreira Coutinho, era a síndica do condomínio, e também foi sentenciada a três anos e seis meses. Todos os condenados haviam sido presos há dois anos após investigação que apurava denúncias de moradores sobre a ação de traficantes que extorquiam moradores, cobrando taxas de mais de 280 moradores. Os imóveis de moradores expulsos eram também usados como pontos para embalar drogas.

O tráfico no condomínio teria ligação com outro grupo de traficantes, este baseado nas comunidades Nova Holanda e Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, principais fornecedores. Em maio de 2016, o subtenente da Polícia Militar, Cláudio Souza Santos, de 53 anos, que atuava na Operação Lei Seca, foi assassinado, no interior de um dos prédios do conjunto habitacional Minha Casa, Minha Vida, no bairro Mundel. Menos de 24 horas após a morte do PM, agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNSG) prenderam um dos suspeitos de envolvimento no crime. Ele estava com quatro armas, sendo duas delas pertenciam à vítima. De acordo com as investigações, Cláudio estava chegando à casa da namorada, na Rua Pereira Sampaio, quando foi abordado por três homens armados, que questionaram se ele era policial. O militar negou, mas os criminosos encontraram uma pistola em sua mochila e efetuaram três disparos contra a vítima, que morreu no local.

Niterói e MaricáPoliciais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) prenderam em abril três homens suspeitos de participar de um grupo de milicianos que atuaria em Maricá. Entre eles, João Paulo Firmino, suspeito de atirar e matar cinco jovens, nas dependências de um condomínio, em Itaipuaçu, em 25 de março. A polícia acredita que eles tenham sido mortos por integrantes do grupo miliciano que atua na região e do qual os três presos eram suspeitos de integrar.
Em 2015 e 2016 condomínios de Niterói também foram alvos de operações para reprimir o tráfico de drogas. Em uma delas, numa ação conjunta, policiais civis da 78ª DP (Fonseca) e do 12º BPM (Niterói) reprimiram criminosos em dois conjuntos residenciais do Minha Casa Minha Vida, o Zilda Arns, na Riodades, e Bento Pestana II, no Morro do Castro. A ação foi desencadeada após denúncias de que traficantes estariam aterrorizando os moradores e também operários que trabalham na construção do Bento Pestana II. Na época, três pessoas que residiam no conjunto da Riodades foram conduzidas para prestar esclarecimentos na 78ª DP. Em depoimento, a dupla teria confirmado a presença do tráfico no condomínio. No caso do Bento Pestana, os responsáveis da obra alegaram que na ocasião que não tinham conhecimento do tráfico de drogas na área.

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