Acusado de matar cachorro no Fonseca alega inocência

Acusado de ter matado a tiros na quinta-feira (15) um cachorro, o comerciante Victor Petersen, de 29 anos, alega inocência e responde à acusação em liberdade, segundo informam os investigadores da 78ª DP (Fonseca). Contudo, ele vem recebendo a condenação popular: sua casa, na Rua Leite Ribeiro, é alvo desde então de depredações e xingamentos de vizinhos. Por intermediação de amigos, a OAB Niterói foi acionada para intervir no caso, visando a garantir o direito do rapaz à defesa.

“Desde ontem estou sendo ameaçado. Minha esposa está em crise nervosa. Eu cuidava bem do cachorro. Minha casa servia de lar provisório para o animal. Eu tenho um cão e dois gatos resgatados. Eu não o matei, eu jamais bati nele”, disse o rapaz, que estaria recebendo ameaças de outras pessoas que residem na região. Ele comentou que o animal gostava de correr atrás de motocicletas que passavam pelas ruas. “Nós fazíamos de tudo pra que ninguém o machucasse. Essa cachorro não era mais comunitário. Desde fevereiro ele não ficava mais na rua abandonado”, acrescentou.

Por outro lado, de acordo com 78ª DP, o crime cometido contra o animal foi descoberto na manhã de quinta-feira, quando o cachorro foi encontrado amarrado e ferido escondido em meio ao lixo, na esquina da Travessa Luiz Matos com a Rua Leite Ribeiro. De acordo com a primeira versão do acusado, que consta do boletim de ocorrência, ele teria atirado no animal por este ter apresentado sinais de que estaria doente.

A comissária de polícia Silvia Daher, da 78ª DP, que é voluntária particular no resgate e proteção animal, recebeu uma denúncia e deu início, com o auxílio de colegas, a diligências de averiguação na região. Ainda segundo a investigadora, moradores da localidade denunciaram o comerciante por ter pedido a vizinhos para amarrarem o animal, o que lhe teria sido negado. Na madrugada de quinta foram ouvidos tiros, e na manhã seguinte o cão foi encontrado alvejado de balas de pistola calibre 22. A arma ainda não foi encontrada.

O presidente da OAB Niterói, Claudio Vianna, recomenda equilíbrio na apuração dos fatos e diz que acompanhará a garantia de direito à defesa do acusado. “Vamos nos inteirar dos fatos e da investigação. Não podemos concordar com qualquer forma de maus tratos a animais, mas também não concordamos com o julgamento público e sem as devidas apurações. O equilíbrio e a serenidade têm que prevalecer. Vamos acompanhar de perto este caso. Em época de redes sociais temos que tomar cuidado com a violação de direitos”, afirmou.

Na fanpage do Facebook da hamburgueria de sua propriedade, chamada Victorian Top Secret, Victor publicou um desabafo em sua defesa.

“O Dolph, também conhecido como Segurança, era um cachorro que estava sempre na nossa porta e que eu e minha esposa costumávamos alimentar e já acolhemos para dar lar temporário em nosso apartamento. Infelizmente, por termos dois gatos e outro cachorro, que passaram também por ameaças de morte e maus tratos na mesma rua, também adotados, não conseguimos manter ele aqui para sempre, Mas, jamais, em hipótese nenhuma faríamos mal a ele ou a qualquer animal! Minha mãe, inclusive, já havia encontrado uma pessoa para recolhê-lo e abrigá-lo em um santuário de cães idosos.
Eu, Victor, não matei o Dolph! Eu, Victor, não o espanquei nem atirei contra ele! Não sabemos quem criou essa história nos incriminando. Já sofremos, já choramos, estamos recebendo ameaças na nossa página e na nossa casa! Até fogo dizem querer colocar aqui. E tudo isso de forma irresponsável, por conta de mentiras criadas! Estamos completamente arrasados, desnorteados tanto com a morte do Dolph quanto com tantos ataques, mas vamos enfrentar e vamos nos reerguer porque sabemos que só fizemos bem a ele”
, escreveu o acusado na página.

O caso continua sob investigação da delegacia da região.

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