Acusado de estuprar a enteada por oito anos é preso em Maricá

Vítor d’Avila

Um homem de 39 anos foi preso, na terça-feira (16), acusado de estuprar a enteada, de 12 anos, desde quando ela tinha apenas quatro anos de idade. O suspeito foi encontrado por policiais civis em um sítio, na localidade de Inoã, em Maricá.

A denúncia foi feita por uma mulher, que possui a guarda provisória sobre a criança. Durante anos, o padrasto ameaçava a enteada de morte caso ela contasse os abusos. O silêncio perdurou por quase 8 anos, até que a vítima relatasse os fatos à responsável.

A denúncia à Polícia Civil foi feita em julho do ano passado. As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo, culminando na prisão do acusado, realizada por agentes da 76ª DP (Niterói). A reportagem de A TRIBUNA teve acesso ao depoimento, no qual a responsável pela menina descreve os anos terríveis de abusos, maus tratos e ameaças.

Os abusos começaram na casa onde a menina morava com sua família. Viviam, na residência localizada no bairro do Colubandê, em São Gonçalo, a vítima, a mãe (que estava grávida do segundo irmão da garota), um irmão, a avó, além do padrasto. Foi no imóvel em que, entre os quatro e seis anos, a menina sofreu os três primeiros abusos, sempre quando sua mãe não estava em casa.

Quando a menina completou sete anos, a mãe e o padrasto saíram de casa, segundo o depoimento, para viver pelas ruas usando drogas. A garota, então, viveu com sua avó até os dez anos de idade. Entretanto, a avó acabou adoecendo, acometida por um câncer, levando a criança para viver com uma amiga de sua confiança, na cidade de Niterói.

Entretanto, a mãe novamente apareceu e convenceu a menina a morar novamente com ela, agora na região de Areal, em Itaboraí, alegando que a avó estaria lá também. Após a avó sair da casa, a vítima passou a ser obrigada a cuidar de seus irmãos para que a mãe saísse à noite. Ainda de acordo com o depoimento, a vítima afirmou à sua responsável atual que o padrasto e outros homens costumavam a frequentar essa casa.

No local, o casal tinha hábito de consumir bebida alcoólica e também daria aos filhos “até que todos ficassem tontos”, segundo a declaração. Todos os habitantes da casa dormiam em um mesmo cômodo. No local, o padrasto, conforme narra a denunciante, teria cometido novos abusos contra a enteada. Questionada pela responsável atual se a mãe via os abusos, a menina relatou não ter certeza, pois o som era ligado com volume alto e a mãe ficava mexendo no celular.

Após a morte da avó, a família se mudou para o antigo endereço do Colubandê, no mês de janeiro do ano passado. Foi no mesmo imóvel, onde ocorreu o primeiro caso, que o padrasto abusou da menina pela última vez, segundo afirma a denunciante. Ainda segundo o relato da vítima à sua responsável, ela e seus irmãos chegaram a passar fome, se alimentando apenas de água com açúcar.

Diante das condições precárias, a denunciante conseguiu obter a guarda provisória da menina. De acordo com ela, passou a desconfiar dos abusos quando, após uma consulta médica, a pediatra receitou uma pomada para a região íntima. Quando a responsável foi aplicar o medicamento, notou que havia sinais de que a menina teria sido estuprada. Questionada, a criança contou toda a história de anos de abusos, cometidos pelo padrasto.

Na terça (16), policiais da 76ª DP conseguiram descobrir a localização do acusado, após cruzamento de dados do setor de inteligência. No sítio, ele recebeu voz de prisão, em cumprimento de mandado de prisão preventiva pelos crimes de estupro de vulnerável, maus tratos e ameaça. Ele foi encaminhado ao sistema penitenciário onde permanecerá preso e à disposição da justiça.

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