Ações na Fazenda Colubandê podem dar uma reviravolta no abandono do espaço

Raquel Morais

Após o roubo de um retábulo da Capela Santana, na Fazenda Colubandê em janeiro deste ano, a Justiça Federal havia determinado a vigilância 24 horas por dia no espaço, seja ordenada pelo poder público ou privado, decisão tomada a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Aliada a essa decisão, em 8 de fevereiro a justiça também determinou que o Governo do Estado do Rio de Janeiro apresentasse, em dez dias, um relatório para iniciar uma investigação do roubo. Em meio a tantas decisões públicas, um grupo de ativistas, ‘Em defesa da Fazenda Colubandê’, também está elaborando um documento para ser entregue à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com todos os registros fotográficos do espaço, que permanece, ainda sim, abandonado.

O documento seria um abaixo-assinado pedindo a recuperação e preservação do local, que passa diariamente por depredações e roubos. “Se nem o Estado, a prefeitura e a federação têm interesse, entreguem para comunidade, que vão ser feitas oficinas, aulas, ocupando e valorizando um patrimônio que nos pertence”, afirmou Claudio Prado de Melo, que é historiador e arqueólogo da organização não governamental Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio.

Para os próximos dias vão ser instaladas duas câmeras de segurança, doadas pela empresa Security – Tecnologia de Segurança de Trindade, para ajudar o grupo a monitorar a área. “É fundamental valorizar tentar cultivar, minimamente, o que tem de mais valor no local, os azulejos portugueses e o painel da artista plástica Djanira na área externa”, comentou um dos fundadores do grupo, Sérgio Gomes. O painel em questão é da década de 60 e uma homenagem às mulheres e os azulejos são Alentejanos, de 1740, que formam um painel na lateral da capela.

A última ação do grupo foi no sábado de carnaval, quando ativistas fizeram uma visita e apresentaram o espaço para historiadores, arquitetos, engenheiros, arqueólogos e pesquisadores, nacionais e estrangeiros. Registros fotográficos, palestras, exposição de objetos históricos e elaboração do abaixo-assinado foram algumas das ações do grupo.
A Prefeitura de São Gonçalo informou que a manutenção e segurança do casarão e da capela histórica não são de responsabilidade do município, mas do Governo do Estado. A Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) garantiu que a fazenda “está sob uso, guarda e conservação do município de São Gonçalo, através da Autorização de Uso publicada no Diário Oficial (…) de 08/06/2016”. Disse também que busca parceria para realizar projeto de restauro e pretende lançar licitação para empresa que fará a recuperação do espaço.

A nota diz ainda que “o município já foi informado da autorização de uso provisória, restando vigente a autorização ao município, com seus respectivos encargos, sobre toda a área e edificações excedentes à edificação em uso pela Polícia Militar, o que inclui, no âmbito da gestão municipal, a sede administrativa, a Capela de Santana, a piscina, as áreas desportivas, as áreas de lazer e as demais edificações anexas”.

2 comentários em “Ações na Fazenda Colubandê podem dar uma reviravolta no abandono do espaço

  • 4 de março de 2017 em 18:55
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    O abandono da Fazenda Colubandê
    Isso já virou uma novela de longos capítulos,com um verdadeiro jogo de empurra,tanto o governo do estado quando a prefeitura de São Gonçalo se mostraram omissos em relação a fazenda,verdadeiro descaso do poder público com o nosso patrimônio histórico brasileiro!!!

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  • 27 de março de 2017 em 12:41
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    oi gente
    gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. 😉

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