Acidente na RO: Motorista se manifesta pela primeira vez

Após mais de três meses em silêncio, o jovem Leonardo Moraes da Silva Pagani, que estava na condução do carro que se acidentou no dia 8 de abril, matando três jovens, se manifestou pela primeira vez sobre o caso. O pronunciamento aconteceu por meio de nota divulgada pelos advogados dele, David Patrício e Sara Santana. A defesa aponta para uma espécie de “sede de justiça”, que o rapaz estaria sofrendo, por ter sobrevivido ao acidente.

Além disso, o comunicado dá alguns detalhes sobre a relação do motorista com os demais ocupantes. Os advogados confirmam que Leonardo e Gabriel Palmieri eram amigos; e que Roberta Miranda e Raphael Guerreiro, este último também sobrevivente, eram namorados. Contudo, a nota afirma que o motorista estaria mantendo um relacionamento com Emmily Miranda, contrariando afirmação feita pela mãe da jovem em entrevista ao jornal A TRIBUNA.

Em relação ao indiciamento por homicídio com dolo eventual, feito pela 81ª DP (Itaipu), a defesa ressalta que “em momento algum existiu a previsão do resultado como provável, ou, ao menos sua possibilidade. Não existiu a aceitação de produzir o resultado fim, ou seja, o Leonardo em momento algum previu a possibilidade/probabilidade do acidente”. Cabe ressaltar que o Ministério Público decidiu oferecer denúncia por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Leonardo Pagani se manifestou pela primeira vez – Foto: Reprodução

Leia a nota, na íntegra:

Primeiramente, antes de adentrar o mérito e até mesmo chegarmos à capitulação presente na denúncia, se faz necessário trazer luzes a questões significativas e dar voz a um sobrevivente do grave acidente que trouxe comoção a uma cidade inteira. Dessa forma, após meses de silêncio, agradecemos a oportunidade apresentada pelo jornal A Tribuna – Niterói para, enfim, esclarecer alguns pontos do fatídico dia 08 de abril deste ano, na visão do Leonardo, um dos sobreviventes do acidente noticiado. Leonardo Pagani, jovem de 19 anos, no dia do acidente, estava acompanhado de Emmilly Souza, 20 anos, o casal de amigos composto por Rafael Dudjak, 18 anos e Roberta Miranda, 17 anos, além de Gabriel Palmieri, 19 anos, grande amigo desde a infância, que também os acompanhava. Tais encontros não eram novidade, seja entre seus amigos ou com a Emmily, pessoa com a qual estava se relacionando.

Porém, naquela noite o inesperado aconteceu, um acidente que de uma só vez ceifou três jovens vidas: Gabriel Palmieri, seu melhor amigo; Emmily, com a qual mantinha um relacionamento; Roberta, amiga do Leonardo e namorada do amigo e sobrevivente Rafael. Ainda nesse diapasão, decidiu colaborar de todas as formas possíveis, desde o início das investigações, mas estamos falando de indivíduo que sofreu um grave acidente e teve uma fratura craniana que resultou em uma hemorragia interna, que por orientação médica, devido as fortes dores e confusão mental, causou o adiamento de seu depoimento.

Logo após o restabelecimento parcial da sua saúde física, acompanhado de seus advogados, foi até sede policial prestar seu depoimento e deixar seu contato para eventual oitiva futura, que não se mostrou necessária. Assim, em seu depoimento, na sede policial, não foi negado jamais a ocorrência de determinados fatos, narrados com riqueza de detalhes e memória de tudo ocorrido até instantes antes do acidente, quadro este oposto ao estado de embriaguez aventado pelo público, corroborado por diversos fatores que culminaram na capitulação da denúncia oferecida, que será pontuada mais adiante. Nesse sentido, foi feito árduo trabalho de investigação defensiva, na qual ativamente a defesa participou, esclarecendo tudo aquilo que foi necessário e possível frente ao “contraditório mitigado” do inquérito policial, já tendo ciência das dificuldades enfrentadas em atuar em procedimento, ainda, em sede investigativa.

Ainda nessa linha de raciocínio, após o indiciamento, jamais ocorreu mudança na postura da defesa ou do indiciado, que receberam com serenidade a capitulação presente na denúncia, qual seja, art. 302, §3º do Código de Trânsito Brasileiro, vez que o Ministério Público, aqui na forma de seus representantes, os promotores, buscam pela promoção da justiça, jamais devendo se deixar levar pelo apelo público que, por vezes, pode até ser bem intencionado, mas em outros momentos promove verdadeiro julgamento antecipado do acusado o impondo penas nunca previstas no nosso ordenamento jurídico ou em qualquer Estado Democrático de Direito. Finalizando a parte técnica, no tocante ao dolo eventual que foi suscitado no relatório policial, não há de se falar, jamais, na possibilidade de dolo eventual no presente caso, pois em momento algum existiu a previsão do resultado como provável, ou, ao menos sua possibilidade. Não existiu a aceitação de produzir o resultado fim, ou seja, o Leonardo em momento algum previu a possibilidade/probabilidade do acidente fatal ou agiu aceitando o risco de produzir o resultado fim.

Sendo assim a denúncia, está em sintonia com tudo o que sustentamos durante a condução do inquérito. Mas, ela não tem o condão de reparar as mossas indeléveis causadas pelos ataques públicos que vêm sendo feitos tanto ao Leonardo, quanto a sua família, motivados por uma “sede de justiça” que não deveria ser voltada para um sobrevivente, que também perdeu entes queridos e vive enlutado carregando a “culpa” por ter sobrevivido, enquanto ainda se recupera fisicamente e emocionalmente do ocorrido.

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