Acidente na RO: motorista pode pegar até 30 anos de prisão

Vítor d’Avila

Leonardo Moraes da Silva Pagani, 19 anos, motorista do carro que capotou, matando três jovens, na Região Oceânica, responderá por triplo homicídio com dolo eventual, cuja soma das penas pode chegar a 30 anos de prisão, segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo inquérito . O agravamento do indiciamento, que inicialmente seria por homicídio culposo, ocorre após depoimento da única testemunha com vida do acidente, Raphael Dudjak Eres Guerreiro, de 18 anos. Ele confirmou que o condutor do carro ingeriu bebida alcoólica antes de dirigir, na quinta-feira da semana passada (19).

O jovem foi ouvido, na manhã desta quarta-feira (14), pelo delegado Fábio Barucke, titular da 81ª DP (Itaipu), que investiga o caso. Raphael chegou à sede da distrital, às 10h55, acompanhado de seus pais. Os três preferiram não conversar com a reportagem. O depoimento durou aproximadamente meia hora. Segundo o delegado, o rapaz está bastante abalado, mas narrou toda a cronologia dos fatos.

“O Raphael é a única testemunha sobrevivente, tirando o autor. Ele disse o que era mais importante. A gente perguntou se houve ingestão de bebida alcoólica por parte de todos, principalmente do motorista, e ele confirmou. Foi perguntado também se o Leonardo estava dirigindo de forma imprudente, veloz, e ele confirmou. Isso era o mais importante”, frisou Barucke.

Além disso, o rapaz confirmou no depoimento, que os vídeos gravados dentro do carro – conforme revelado na reportagem de quarta-feira (14) de A TRIBUNA – foram gravados instantes antes do acidente. Nas imagens, o condutor aparece sem estar segurando o volante, enquanto o automóvel estava a cerca de 116 km/h. O fato também foi crucial para atribuição do dolo eventual, segundo Barucke.

“Nós recebemos alguns vídeos que foram feitos minutos antes do fato. Ele confirmou também, nós mostramos os vídeos a ele, confirmando que foram feitos um minuto antes do acidente. Esses vídeos foram importantes, mostram que o motorista estava com as mãos fora do volante, em alta velocidade”, prosseguiu o delegado.

Na noite da tragédia, os jovens foram a um restaurante de comida japonesa onde, segundo as investigações, não consumiram bebida alcoólica. Na sequência, os cinco seguiram para a casa de Leonardo, na Região de Pendotiba, onde todos teriam ingeriram álcool. No momento do acidente, às 23h30min, o motorista estava indo levar os demais para suas casas.

INQUÉRITO SERÁ CONCLUÍDO ATÉ O FIM DO MÊS

Em relação ao prosseguimento da investigação, Barucke afirmou que ainda falta juntar alguns laudos, que devem ficar prontos na próxima semana. Além disso, há a pendência do depoimento de Leonardo. No entanto, o delegado explica que não se trata de um procedimento essencial. A oitiva foi marcada para a próxima sexta-feira (16).

“Hoje, os peritos, que fizeram laudo de local, vieram aqui tirar algumas dúvidas. Eles já estão fazendo e disseram que apresentam na semana que vem. Já solicitei o boletim de atendimento (BAM) médico do autor, o exame de sangue já foi colhido, isso deve estar chegando em 15 dias. Só resta juntar o laudo de local, o laudo de necropsia já está aqui, falta o BAM e a oitiva do motorista. Como ele é autor, tem direito de não comparecer ou ficar em silêncio. Não é essencial, embora seja importante para ele se defender. Até o final do mês o inquérito deve ser remetido para a Justiça”, explicou o delegado.

POLÍCIA QUER OUVIR MOTORISTA

Inicialmente, Leonardo seria ouvido na tarde desta quarta-feira (14). No entanto, sua defesa apresentou justificativa para o não comparecimento, relacionada às condições de saúde do suspeito. O delegado remarcou a oitiva para sexta-feira (16), mas a expectativa é que ele novamente não compareça e seu depoimento seja remarcado para outra data.

“O Leonardo foi intimado para comparecer na sexta. Houve a presença da advogada dele aqui dizendo que ele está delirando muito e que não se recorda de absolutamente nada do fato. Ela não confirmou a presença dele aqui na sexta-feira por ele não estar se sentindo bem de saúde e ficou de apresentar um laudo médico aqui para comprovar que realmente ele não pôde vir. Eu aguardo a presença dele, porque é importante que se apresente”, complementou o delegado.

O delegado também descartou pedir a prisão do condutor do automóvel. “A prisão só é necessária se houver coação à testemunha – a que veio hoje aqui não relatou nada em sentido disso – ou se houver tentativa de fuga dele. Se a gente perceber alguma tentativa de fugir da responsabilidade, mudando de endereço sem se apresentar, não for encontrado, aí requisito para a prisão. Se não houver a prisão cautelar, ele só pode ser preso no final do processo, se for condenado”, concluiu Barucke.

O acidente

Um gravíssimo e violento acidente de carro, no final da noite de 8 de abril, por volta das 23h30min, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, no trecho da descida da serra que dá acesso à Região Oceânica no Cafubá, em Piratininga, resultou na morte instantânea três deles.

Emmily de Souza Miranda, de 20 anos; Gabriel Palmieri da Costa Gonçalves, de 19 anos; e Roberta da Costa Miranda Ribeiro, de 17 (que era namorada de Raphael) estavam no automóvel, modelo Chevrolet Onix, que acabou destruído após capotagens múltiplas. A violência do impacto foi tamanha que as vítimas tiveram seus corpos arremessados para fora do veículo.

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