Ação social leva esperança a moradores em situação de rua

O ano que foi marcado por atitudes de solidariedade em meio a pandemia, no Natal não poderia ser diferente. Um grupo criou a campanha “Panetone Solidário” e arrecadou cerca de 600 panetones para distribuir aos moradores em situação de rua. Mas resolveram ir além disso. Montaram um kit que continha o mais importante dos itens…atenção a quem precisa.

A intenção era arrecadar 120 panetones para serem doados. Muitas pessoas, envolvidas pela magia do natal, resolveram colaborar, e o grupo conseguiu juntar 600 panetones, 300 bebidas e 100 caixas de bombons.

“Distribuir comida aos moradores em situação de rua é algo que muitas igrejas fazem. Mas resolvemos fazer mais que isso. Além do panetone, colocamos guaraná natural, uma caixa de bombom e um questionário em que as pessoas marcavam se queriam voltar pra casa, se queriam um emprego ou fazer tratamento para dependência química”, explicou Beto Saad, um dos integrantes do grupo que inicialmente foi chamado de Panetone do Bem.

O grupo se juntou aos integrantes da igreja Porciúncula de Santana, em Icaraí, que já fazem o trabalho de distribuição de alimentos. O objetivo era aprender como fazer a abordagem e organizar a divisão do kit.

Em uma das ações, eles conheceram duas pessoas especiais que pediram ajuda. O Delion Barbosa, de 26 anos, estava há 30 dias fora de casa. De acordo com o grupo que o encontrou, ele saiu de casa, em Pará de Minas, e chegou a pé na Rodoviária em Belo Horizonte. Depois de alguns dias dormindo no local, recebeu uma proposta de emprego em uma obra no Rio de Janeiro. Mas ele só ficou um dia no trabalho e foi dispensado. Sem dinheiro e em uma cidade onde não conhecia ninguém, Delion procurou um abrigo da prefeitura.

“No abrigo, a assistente social entrou em contato com a mãe dele e disse que pagariam a passagem dele de volta. Mas aconteceu alguma coisa no abrigo com os outros moradores, que ele se sentiu ameaçado e fugiu de lá. Ele chegou em Niterói no dia da nossa ação. Ele nos contou a história, fizemos contato com a assistente social do abrigo, e levamos ele lá para buscar a passagem que já estava comprada para o dia seguinte. Lá conseguimos o contato da mãe dele e explicamos o que estava acontecendo”, contou Cesar Augusto, integrante do grupo.

Dona Maria Helena, mãe do Delion, faz questão de mostrar toda a gratidão pela ajuda que o filho recebeu. “Ele agora está mais confortável, feliz e bem. Eu não ia ter um natal. Eu só chorava com saudade do meu filho. Agradeço muito e vou orar para que eles continuem ajudando os outros a terem a felicidade que eu tenho hoje. Que outras pessoas tenham essa oportunidade. Que Deus abençoe o projeto”.

Outra história que envolveu todo o grupo foi a do Eucimar, de 50 anos. Ele chegou em Niterói há nove anos depois que teve alguns problemas com a família e saiu de Aracruz, no Espirito Santos. “Assim que abordamos ele, de cara ele contou que tinha três filhos e que queria voltar para casa, mas sentimos que ele tinha receio da reação da família por ele estar longe há tanto tempo. Mas encontramos os parentes pela rede social, falamos com eles e todos queriam que ele voltasse”, explicou Hélio Maturana, integrante do grupo Panetone do Bem.

Rapidamente todo o grupo se envolveu na história para que o sonho do Eucimar e da família dele pudesse se tornar realidade. “Ele só ia embarcar no ônibus à noite. Passamos a tarde com ele no shopping. Ele pediu para lanchar, compramos presente para a família, roupas para ele, fizemos a barba”.

Eucimar foi recebido pela família e pelos amigos da igreja que ele frequentava antes de ir embora.

“Agradecemos muito a Deus pela vida de todo o grupo, pelo que fizeram pelo meu irmão, essa oportunidade de ver ele de novo. Todos nós ficamos muito felizes. Vocês são uns anjos”, disse Elizandra, irmã do Eucimar.

Animados com os resultados positivos que tiveram e ao ver a felicidade de cada pessoa ajudada, o grupo que reúne 20 pessoas já decidiu tornar a ação em um projeto fixo. “Estamos acertando tudo para começar o projeto que vai se chamar ProBem Rio. Queremos legalizar, prestar conta de tudo e continuar fazendo a diferença na nossa sociedade através do bem”, disse Cesar Fonseca.

Além da distribuição de alimentos e o auxílio e atenção dado a essas pessoas, o grupo quer oferecer cursos gratuitos e atendimento psicológico. “Nosso grupo tem pessoas de diversas áreas profissionais. Quando tudo estiver documentado e legalizado, queremos dar a essas pessoas oportunidades que nunca tiveram”, completa.

Quem quiser fazer doações de alimentos e roupas pode entrar em contato com o Cesar Fonseca no telefone 98200-4191, que o grupo vai até a residência buscar a doação.

Se a doação for em dinheiro o depósito pode ser feito na conta do Banco Bradesco em nome do Hélio Maturana Neto pelo PIX 98638-7958 ou C/C: 37336-2 Ag: 3500.

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