‘Acabaram com a vida do meu irmão’, diz irmã de frentista morto em São Gonçalo

Vítor d’Avila

O sepultamento do frentista Arilson Santiago Pinto, de 21 anos, aconteceu na tarde de segunda-feira (1), no Cemitério Parque Nicteroy, em Vista Alegre, São Gonçalo. O rapaz morreu na madrugada de domingo (28), ao ser baleado no bairro de Tribobó. A família acusa a Polícia Militar de ter efetuado o disparo.

A irmã de Arilson, Ana Carolina Santiago, esteve, durante a manhã, no Instituto Médico Legal (IML) para fazer os trâmites de liberação do corpo. Segundo Ana, o irmão estava de carro indo ao trabalho, junto de outros dois colegas, quando policiais militares teriam atirado contra uma motocicleta, que passava pelo local. Um dos tiros acabou atingindo o jovem.

“Todo dia ele ia trabalhar com o gerente dele, que o pegava próximo à nossa casa e trazia de volta. [Ontem] infelizmente acabaram com a vida do meu irmão. Ele estava na parte de trás [do carro]. [Não estava tendo] operação nenhuma. Na hora que o carro passa, vem a moto e eles [policiais] começaram a atirar, só se ouve o tiro deles”, disse Ana, que revelou que o tiro atingiu as costas de Arilson e saiu pela parte da frente do corpo do rapaz.

O frentista foi socorrido ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), mas não resistiu. Arilson deixa a esposa, que está grávida de 5 meses. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG).

De acordo com Ana, ele ainda teria chegado consciente ao hospital, mas não resistiu à grande perda de sangue. Atualmente, ele morava com a mãe e a esposa gestante. A família define Arilson como um homem alegre e que era apaixonado por futebol.

“Morava eu, minha mãe e ele. Agora fui morar com meu futuro esposo e ficaram minha mãe, ele e a esposa, mas eu convivo lá. Era um menino brincalhão, querido por todos. Era doente por futebol, o apelido dele era Barcelona, porque as roupas dele eram todas do Barcelona. Era muito grudado com minha mãe. Ela está tentando manter a calma porque tem minha avó, que já é idosa, para cuidar. Somos uma família grande e unida”, recordou a irmã.

Câmeras de segurança flagraram ação – Divulgação

Investigação

Dois policiais, lotados no 7ºBPM (São Gonçalo), que participaram da ocorrência, foram ouvidos segunda-feira (1) pela manhã. Dois fuzis foram apreendidos pela DHNSG para investigação. De acordo com a especializada, o armamento será encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde será feita perícia. Também serão analisadas imagens de câmeras de segurança, que flagraram o fato.

“Foram solicitadas as armas dos policiais envolvidos, que estão sendo ouvidos. Vamos fazer um confronto balístico, uma perícia na imagem que nós temos referente a essa ação e ouviremos testemunhas. Inicialmente não se tinha a notícia de confronto, entretanto houve uma ocorrência registrada pela PM na delegacia de Rio do Ouro (75ª DP) e o plantão constatou que era no mesmo local e no mesmo horário”, disse o delegado Mário Lamblet, responsável pela investigação.

Ainda de acordo com Lamblet, as imagens que flagraram o momento da ocorrência serão analisadas de forma detalhada. Embora mais policiais tenham estado na ação, apenas doi,s que revelaram terem feito disparos, foram ouvidos. O delegado ainda lembra que, no domingo, eles prestaram depoimento na sede da 75ª DP.

“A gente precisa fazer uma perícia detalhada dessa imagem para ver se, entre aquelas pessoas que estavam na moto, se algum estava armado. Estamos ouvindo os policiais que alegaram terem disparado, eles foram ouvidos ontem [domingo] na delegacia de Rio do Ouro. Vamos ver se o projétil que atingiu a vítima tem capacidade para ser periciado e confrontado”, complementou o delegado, que ainda ressaltou que tentará identificar os homens de moto que aparecem nas imagens.

Por meio de nota, a PM afirmou que, segundo os policiais, quando em policiamento ostensivo pela Rua Dalva Raposo, no último domingo, a equipe foi atacada por disparos de arma de fogo efetuados por criminosos locais. Houve confronto e os criminosos fugiram. Posteriormente, a unidade foi informada sobre a entrada de um homem no Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, ferido. A ação foi comunicada à DHNSG e as armas dos policiais foram apresentadas à perícia. A 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) também instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias do fato.

Manifestação – Moradores do bairro onde aconteceu o crime fizeram manifestação, na tarde de domingo, na Rodovia RJ-106, pela morte de Arilson. Ao interditar a rodovia, os manifestantes colocaram fogo em pneus na altura da entrada da Rua Dalva Raposo, em Tribobó, onde aconteceu o crime, na pista sentido Maricá. Além de atear fogo em pneus, os moradores atravessaram um ônibus na via, no sentido São Gonçalo.

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