Abstenções, votos brancos e nulos superam votação de Rodrigo Neves

Raquel Morais

Falta de identificação com projetos políticos, segundo turno, despolitização com ataques entre candidatos e crise institucional são alguns argumentos que podem explicar o alto número de abstenções no segundo turno das eleições, e em Niterói não foi diferente. Somados os eleitores que deixaram de votar e aqueles que votaram em branco ou nulo, o resultado foi maior que a votação que reelegeu Rodrigo Neves (PV). Enquanto o prefeito recebeu 130.473 votos, 148.280 pessoas resolveram não se manifestar no segundo turno. Os votos em branco somaram 13.409, os nulos 52.122 e as abstenções 82.749, ou 4,65%, 18,08% e 22,31%, respectivamente.

O cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense, Márcio Malta, de 34 anos, apontou que a abstenção na cidade sorriso superou, e muito, o Rio de Janeiro que teve cerca de 26%. “Alguns especialistas acreditam que o cadastro dos eleitores do Rio de Janeiro estava desatualizado. Mediante isso não podemos pensar o mesmo sobre Niterói, que teve essa atualização recentemente. Acredito que os eleitores não se identificaram com nenhum dos dois projetos de candidaturas apresentados”, pontuou.

Outra explicação do estudioso é que a quantidade dos votos nulos (52.122 mil) foi próxima com o do candidato Flávio Serafini no primeiro turno, que teve 47.069 mil votos. “Isso prova que boa parte dos eleitores desse candidato não migrou para o Rodrigo Neves nem para o Felipe Peixoto”, comentou. A agressividade e ataque mútuo dos dois prefeitáveis, o que Malta classifica como despolitização, também pode ter explicação para a ausência do eleitor da urna. “As pessoas podem ter tido uma rejeição por esse comportamento, sem contar com a crise institucional onde os eleitores não se sentem representados por nenhuma instituição. Isso cresceu muito depois das manifestações de 2013 contra o preço das passagens. Esse conjunto de fatos podem influenciar nessas abstenções”, finalizou o também niteroiense Márcio Malta.

O mesmo cenário ocorreu na capital. Enquanto Marcelo Crivella (PRB) foi eleito com pouco mais de 1,7 milhão de votos, os eleitores que se abstiveram e votaram em branco ou nulo superaram os dois milhões.

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