Abertura do Hospital de Campanha de São Gonçalo é uma incógnita

Inicialmente prometido para a primeira semana de maio, depois adiada pelo ex-secretário Estadual de Saúde Edmar Santos, para o dia 17, agora a Secretaria de Estado de Saúde informou que o Hospital de Campanha de São Gonçalo deve começar a receber pacientes de forma gradativa nesta quarta-feira (27), e que eles chegarão até a unidade por meio da Central Estadual de Regulação. O atraso da unidade no campo de futebol do Clube Mauá, no bairro Estrela do Norte, não teve o motivo até essa quarta-feira (27) explicado. A SES, em nota, só informou que segue as novas datas que foram dadas como limite para a entrega das unidades de campanha pela Organização Social Iabas.

De acordo com o boletim atualizado da Secretaria Municipal de Saúde, a cidade de registrou mais dez óbitos em decorrência da Covid-19 ontem, chegando a 152 no total. Ao todo, São Gonçalo contabiliza 6.985 casos suspeitos, 1.224 confirmados, 621 descartados, 200 curados, 152 óbitos e 26 mortes sob investigação.

Com tantos adiamentos, algumas autoridades do município dizem que não sabem dizer se será verdade o funcionamento, já que a SES e a contratada Iabas caíram em descrédito com tantas desinformações e falta de consideração com a população. Caso do deputado Estadual, Renam Ferreirinha (PSB). Ele diz que é um absurdo ninguém confirmar nada.

“Estamos na expectativa para saber o que vai acontecer amanhã (hoje). Estamos na luta para abrir novos leitos do SUS, especialmente em São Gonçalo, onde os casos disparam e o Governo do Estado segue sendo investigado por corrupção e transferindo a inauguração do hospital de campanha construído no Clube Mauá. A tenda foi concluída um tempão, mas ainda faltava a chegada dos equipamentos necessários, vindos da China, e também a contratação da equipe de médicos e demais profissionais de saúde”, disse o deputado.


A central de regulação do estado não informou quantos pacientes aguardam uma vaga de UTI no sistema de saúde público estadual, que está à beira de um colapso. A esperança para virar o jogo está nos hospitais de campanha. No entanto, na terça-feira (26), segundo a Iabas e a SES, estava prevista a inauguração do hospital só para a imprensa. A princípio seria pela manhã e depois a própria SES disse que seria no início da noite, às 18h, mas o evento foi cancelado por conta da operação Placebo da Polícia Federal.

O Ministério da Saúde definiu regras e financiamento para que os estados e municípios possam implementar hospitais de campanha nas cidades. A orientação é para que as unidades sejam montadas para atender pacientes com sintomas respiratórios de baixa e média complexidade, funcionando como retaguarda clínica para unidades hospitalares permanentes que possuam Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sejam definidas como referência para tratamento da Covid-19.

“O Ministério da Saúde orienta que deve ser utilizada a proporção de 10 leitos de suporte ventilatório pulmonar para cada 40 leitos de internação clínica em Hospital de Campanha. Contudo, o número de leitos de cada hospital temporário poderá variar de acordo com o seu tamanho”, explicou Adriana Teixeira, diretora do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e Urgência (DAHU/MS).

A implantação dos hospitais de campanha será de responsabilidade dos estados, Distrito Federal e municípios. A construção da unidade deve ser uma das estratégias de ampliação e organização da oferta de leitos e deverá fazer parte dos Planos de Contingência elaborados pelos gestores locais. De acordo com as orientações, as unidades temporárias devem ser implantadas em anexo a unidades de saúde hospitalares ou se utilizar de equipamentos urbanos, como estádios de futebol ou centro de convenções, por exemplo.

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