‘A tendência é Flordelis ser condenada’, diz advogado

O primeiro julgamento do Caso Flordelis encerrou, na madrugada desta quarta-feira (24), com a condenação de dois dos filhos da ex-parlamentar que respondem pela morte do pastor Anderson do Carmo. Flávio dos Santos Rodrigues, acusado de ter efetuado os disparos contra a vítima, foi sentenciado a 33 anos, dois meses e 20 dias de prisão em regime inicialmente fechado. Já Lucas Cezar dos Santos de Souza, acusado de ter sido o responsável por adquirir a arma do assassinato, foi condenado a sete anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado, por homicídio triplamente qualificado.

A sessão também gerou expectativas sobre de que maneira irá transcorrer o julgamento de Flordelis e outros réus, acusados de participação no assassinato. Embora todos já tenham sido sentenciados a irem a júri popular, a data do julgamento ainda não foi marcada. Para o advogado Acácio Miranda da Silva Filho, mestre em Direito Penal, as condenações de Flávio e Lucas são forte indicativo de que a ex-deputada também deve ter o mesmo destino.

“Há uma tendência de condenação pelo seguinte: são julgamentos diferentes, que foram separados por uma questão processual, mas já há uma tendência pela condenação, devido à robustez da provas e por ela ser, nitidamente, a mentora intelectual do crime. Ela pode ser condenada e com uma sanção bem robusta diante dessa autoria intelectual”, explicou Acácio.

A disparidade entre as penas de Flávio e Lucas foi um dos fatores que chamou atenção no julgamento. Uma das justificativas para a pena melhor deste último foi o fato de ele ter colaborado com as investigações. Acácio explica como funcionam os acordos de delação e também diz acreditar que o fato de Flávio ter confessado ser o executor, em depoimento prestado á Polícia Civil, colaborou para que tivesse uma pena mais severa.

“A delação premiada é prevista em lei, é um acordo feito no processo. Então essa diminuição de pena já era esperada. A primeira confissão colaborou, ele muito provavelmente não quis fazer um acordo de delação então aquelas provas acabaram sendo contundentes contra ele. Como ele não concretizou a delação, não teve direito á diminuição”, prosseguiu.

Por fim, o especialista destaca que devido à ampla repercussão do caso, todo o trâmite legal foi seguido no julgamento dos irmãos. “Julgamentos como esse, juízes, promotores e advogados costumam agir estritamente o rigor da lei. Então seguiu o padrão normal, Óbvio que creio que serão impetrados recursos”, concluiu Acácio.

Filhos da ex-parlamentar foram condenados pelo crime – Foto: Marcelo Feitosa

A audiência

A primeira testemunha a depor foi a delegada Bárbara Lomba. Ela disse que a investigação apontou que, antes das eleições da ex-deputada, já havia tentativas de assassinar o pastor, por envenenamento. “Ele passou por diversos atendimentos médicos e chegou a ser internado no hospital. Aqueles que estão ligados a esse homicídio são os familiares mais próximos à Flordelis. São pessoas muito vulneráveis, que tinham relação de dependência em relação a ela e desentendimentos com a vítima”.

Em seguida foi a vez do depoimento do delegado Alan Duarte.

“A partir de conversas extraídas dos celulares, podemos afirmar que trata-se de uma organização criminal familiar. Flordelis manipulou, mentiu e ocultou provas. Havia um racha na família, com diferença de tratamento entre filhos biológicos e adotivos. O pastor comandava a família de forma rígida e geria a parte financeira, o que gerava descontentamento nos ligados à Flordelis”.

Wagner Pimenta, o Misael, filho afetivo de Flordelis, foi a terceira testemunha ouvida. Ele contou que foi adotado aos 12 anos e que morou por mais de 30 anos na casa da família. Wagner disse que, após a morte do pastor, Flordelis teria escrito em um caderno que havia quebrado o celular de Anderson e jogado da Ponte Rio-Niterói. A ex-deputada desconfiava que havia escuta policial na casa, por isso se comunicou por escrita.

A esposa de Wagner, Luana Pimenta, afirmou que o pastor Anderson do Carmo era grande defensor de Flordelis. De acordo com Luana, não seria possível alertar o pastor sobre suas desconfianças sobre das atitudes da ex-deputada, pois “ele jamais acreditaria”.

Quinta testemunha a prestar depoimento, Roberta dos Santos, filha adotiva de Flordelis, admitiu ser autora de mensagem enviada no grupo de WhatsApp da família, em que clama por Justiça pela morte de Anderson. Ela falou que foi adotada aos 3 meses de idade e que, quando criança, tinha medo de Flávio por o considerar agressivo.

Após intervalo de 15 minutos, a fase de depoimentos foi retomada, quando foram ouvidas mais duas testemunhas de acusação, o filho adotivo da Flordelis, Alexander Felipe Marques Mendes e o motorista de Uber, Daniel Pereira, que levou Lucas e Flávio a comunidade de Nova Holanda, para a compra da arma utilizada no homicídio.

A última testemunha a depor foi Regiane Ramos, ex-patroa de Lucas. Ela foi a única testemunha ouvida pela defesa de Lucas. Todas as demais testemunhas de defesa foram dispensadas pelos advogados dos réus.

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