A recepção da obra de Gilberto Freyre na França é tema de lançamento da Eduff

Em “Mestiça cientificidade”, os historiadores Giselle Venancio e a André Furtado contam a história da recepção de Gilberto Freyre na França, por meio da escolha de três leitores reconhecidos no universo acadêmico francês: Fernand Braudel, Roger Bastide e Lucien Febvre. Na obra, os autores situam a emergência francesa de Gilberto Freyre dentro de um contexto maior de busca de saídas para os conflitos raciais de uma Europa pós-Segunda Guerra Mundial.

Publicado na França em 1952, quase duas décadas após ser publicado no Brasil, a tradução do clássico “Casa-grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal” teve uma recepção calorosa nessa época, considerada como o auge de sua credibilidade internacional.

Os autores destacam que para Gilberto Freyre “Casa-grande & Senzala” era um ensaio que resultava, ao mesmo tempo, de uma reflexão subjetiva e intuitiva, porém também crítica e erudita. Segundo ele, o cientista social por excelência era, exatamente, o ensaísta. Contra o purismo científico e a ortodoxia sociológica que pareciam fazer vista grossa para o caráter complementar das contribuições de vários ensaístas – fossem eles escritores de romances, críticos, filósofos ou historiadores –, o autor propunha, de certa maneira, o que se pode considerar uma mestiça cientificidade, ainda que não nomeada desta forma.”

Com prefácio de Antonio Dimas, o novo lançamento da Eduff traz uma análise dessa proposta de Ciência sugerida por Freyre. No livro, a obra de Freyre aparece sob um viés que investiga o autor pernambucano no interior de processos vinculados à circulação de bens culturais em perspectiva transnacional, com ênfase sobre o peso que agentes e instituições representam neste jogo social, bem como sob a ótica de importantes leitores.

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