A performance singular de Betina Kopp no palco do Teatro da UFF

Hoje e amanhã e nos dias 24 e 25 de outubro o Teatro da UFF estreia o espetáculo Beco, que gerou há quase dois anos um livro homônimo, reunindo as obras mais emblemáticas da poeta e atriz Betina Kopp. Assim como se coloca em sua própria poesia, artista leva para o palco suas feminices e toda a sua pluralidade.

Betina, que há 10 anos interpreta sua própria poesia e também a de autores consagrados pelos quatro cantos do mundo, une a experiência a projeções multimídia, como cenário e medições da pulsação dela própria, dramaturgia e música eletrônica, a fim de conectar palavra, movimento e frequências. Com supervisão do teatrólogo Amir Haddad e direção de Adressa Koetz, o solo amplifica questões da contemporaneidade, caras não só para a artista, como para o público em geral.

“Falo do coração, desse percurso que contrai e expande. Falo das minhas inquietações, angústias cotidianas, realizações, a autoanálise, carências, prazeres. É muito feminino”, descreveu Betina.

Entre os poemas que estão no roteiro, ela destaca um dos mais recentes que escreveu, “Mulher cavala”, transformado em um batidão para o espetáculo.

“Ninguém segura mais as mulheres. Não tenho medo do enfrentamento. É dar a cara a tapa. A ‘Mulher Cavala’ significa o pé na porta, cavalgar mesmo. Ela quer amar, ser livre, leve e compreendida, mas também quer ser pega, é uma troca: dominar e ser dominada”, explica.

A atriz e poeta nasceu em Niterói, é formada na Casa da Artes de Laranjeiras (CAL), apresentou o programa Sensacionalista no canal Multishow. Atuou em novelas e programas da Rede Globo, Canal Brasil e TV Futura. No teatro, destacam-se Diálogos com Lorca dirigida por Lu Grimaldi, Vão Paraíso e Escola de Molières dirigida por Amir Haddad. Criou as performances Corpinturadas, Poesia Que Para (PQP), Poesia Para Degustar e Poiesis. Integra o coletivo Voluntários da Pátria, que já levou música e poesia para jovens de treze estados do país.

A performance da artista, que a tornou singular entre os poetas contemporâneos, é descrita pelo escritor Tavinho Paes como “rascante”.

“Quando ela entra em cena e a atriz dá lugar à poeta, que trata as palavras como uma mãe amamentando e ninando um bebê, uma coisa fica absolutamente transparente: essa garota tem estilo e este estilo, além de suficiente para identificá-la onde quer que esteja se apresentando, seguramente é de uma originalidade a toda prova”, avaliou.

A classificação etária é 10 anos, a duração do espetáculo é de 70 minutos e os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia para maiores de 60 anos, professores e servidores da UFF e estudantes). O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9 em Icaraí.

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