A pandemia provocou uma revolução no design de interiores

A pandemia do coronavírus impactou diversos setores como economia, política e meio ambiente. Nas áreas de decoração e arquitetura ocorre uma verdadeira revolução de conceito que se adapta aos novos tempos. Seja com a criação de espaços personalizados, mais abertos, mais ventilados até a valorização ainda maior do aconchego e criação de espaços específicos para o home office; o nicho está repleto de novidades.

A decoração de uma casa revela muitos aspectos do nosso inconsciente. A psicanalista Andréa Ladislau aponta justamente as influências do ambiente no emocional e no humor das pessoas, que podem ser bastante significativas, seja no aspecto positivo ou negativo.

“Após dois anos em pandemia, vivendo momentos de isolamento, o que temos percebido através de relatos no consultório, é que com o abrandamento dos casos de contaminação, as pessoas estão em busca de ‘liberdade’. Ambientes mais claros, amplos, aconchegantes e mais funcionais. Principalmente, as cores são bastante observadas na hora da escolha da decoração. Cores mais vivas, quentes, vibrantes são as mais desejadas. Trazendo isso para o campo psicológico, mostra que quanto mais organizado do lado de dentro da mente, seguro e livre de medos e pânico, mais o indivíduo reflete isso no ambiente em que vive. E vice-versa”, garantiu.

Psicanalista Andréa Ladislau aponta como o ambiente interfere no dia a dia da pessoa. Foto de Divulgação

Ladislau explicou que todo que todo esse alinhamento decorativo é necessário pois está diretamente ligado às oito emoções primárias dos seres humanos: a raiva, o medo, a tristeza, o nojo, a surpresa, a curiosidade, a aceitação e a alegria. “A amplitude, cores, luminosidade e organização impactam diretamente no controle emocional dos seres humanos. Estes pontos decorativos, se bem observados e trabalhados, podem auxiliar na eliminação e redução de episódios de ansiedade e também de depressão”, exemplificou.

A TRIBUNA conversou com a conceituada designer de interiores, Adriana Andriole. Ela é sócia da também designer Miriam Nascimento na empresa AM Estúdio Design.

Adriana Andriole contou as novidades do mercado da arquitetura e design. Foto de Pablo Nicolas

A TRIBUNA – A pandemia revelou que as pessoas estão valorizando mais o que se chama de ‘lar’. Estão redecorando, utilizando espaços abertos e mais verdes. O que mudou no design de interiores nesse período?


Adriana Andriole – Devido à necessidade de isolamento as pessoas se interiorizaram mais. Tiveram que passar mais tempo em casa. Com isso veio a necessidade de se adaptar ao novo estilo de vida, como trabalhar em home office ou ter a presença integral das crianças em casa. Enfim, a mudança de estilo de vida com certeza alterou o conceito de morar, criando novos hábitos que provavelmente despertaram atenção para as coisas que não funcionavam bem. Isso gerou essa necessidade real de readaptação dos espaços. Novos elementos foram inseridos na decoração para gerar maior funcionalidade e bem estar. Mais tecnologia e muito verde das plantas.

AT – O mercado de materiais de construção na região Sudeste apresenta índices impressionantes de aumento de vendas, em especial de produtos direcionados a reformas. Porque as pessoas estão fazendo tantas reformas em suas casas? Qual significado que o ‘lar’ tem na felicidade e realização?

Adriana Andriole – Com certeza para uma melhor adaptação das necessidades de cada um para obter uma melhor qualidade de vida. Qual significado que o ‘lar’ tem na felicidade e realização? Tudo. Lar é o espaço humanizado, particularizado, impregnado de sentido e história. Onde alimentamos a nossa energia psicoafetiva. Porque um lar deve ser repleto de conforto e acolhimento. Um lar: guarda, protege, agrega e acolhe.

AT – Quais os materiais mais usados?

Adriana Andriole – Hoje existe toda uma preocupação com materiais de fácil manutenção e principalmente o uso de materiais com certificação ambiental.

AT – Nota-se, que os profissionais liberais como médicos e advogados tem investido forte na decoração de seus ambientes de trabalho, especialmente salas de espera. Não era assim, o que aconteceu?

Adriana Andriole – Com a facilidade de acesso digital e a divulgação dos trabalhos de design, decoração e arquitetura através das mídias sociais, achamos que isso potencializou e mostrou a todos as possibilidades de investimento, incentivando novos projetos. Lógico que imagem é tudo. Quando você tem um espaço funcional e esteticamente bem resolvido, com certeza passa uma imagem mais conceituada do seu próprio perfil de trabalho.

AT – A indústria da construção civil tem diminuído cada vez mais o tamanho dos apartamentos, o que certamente é um desafio para os profissionais da área. Como uma pessoa que está comprando um apartamento minúsculo pode adaptá-lo ao seu perfil e seus desejos sem prejudicar o espaço?

Adriana Andriole – Contratando um bom profissional. Nós, designers de interiores, somos especializadas em otimizar espaços com maestria e eficiência.

AT – Supondo que uma pessoa more em um apartamento de dois quartos, mas no momento o orçamento disponível é para apenas um cômodo. Qual a lógica de qual ambiente escolher para uma remodelação? A prioridade é a sala ou o quarto?

Adriana Andriole – Essa opção é muito pessoal. Depende do estilo de vida de cada um, mas se fosse no meu caso com certeza priorizaria o meu quarto. Ter conforto e organização nesse ambiente onde você passa grande parte da sua vida, traz uma qualidade de vida imensurável.

AT – Hoje é sabido que os jovens têm ficado na casa dos pais até os 40 anos. Como isso interfere na decoração?

Adriana Andriole – Entendemos que diversos motivos podem levar filhos a permanecerem compartilhando o mesmo espaço dos pais, mesmo após entrarem na fase adulta (25 anos). Como qualquer demanda de espaço de convivência, acolhemos sempre levando em consideração a qualidade de vida da família, para que todos tenham suas necessidades atendidas, trazendo harmonia ao lar.

AT – Cães e gatos hoje são “membros da família”. Isso também interfere em um projeto de decoração?

Adriana Andriole – Sim! Os pets hoje têm lugar garantido na família, que geralmente nos pedem um projeto inclusivo. Muitas ambientações são pensadas de forma a dar maior acolhimento, com muita funcionalidade e organização. Um bom projeto não deve objetificar o animal, mas dar a ele conforto e segurança. Temos vários projetos onde criamos espaços exclusivos para os pets integrando perfeitamente à decoração.

Raquel Morais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.