“A mulher pode chegar onde ela desejar”

Camilla Galeano e Alan Bittencourt

Estreante na política, a candidata a prefeita de Niterói Renata Esteves (PMB), afirmou que sua escolha foi um ato de força e coragem em prol da cidade. A advogada pretende implementar projetos como o “Empreendedora Sorriso”, que tem por objetivo criar um polo de empreendedorismo. Com a possibilidade de perder parte da receita dos royalties do petróleo, Renata diz que para equilibrar as contas e poder governar, a saída é colocar pessoas técnicas e capacitadas para trabalhar e enxugar a máquina. “Tudo passa pela gestão”.

A TRIBUNA – Renata, você nunca esteve no meio político. É a sua estreia como candidata. Vou pedir para senhora se apresentar. Por que quer ser prefeita de Niterói ?

Renata Esteves – Primeiramente quero agradecer a oportunidade que a TRIBUNA está dando para todos os candidatos. Por conta da legislação o meu partido não tem tempo de TV e rádio. Minha escolha para entrar na política foi para sair da zona de conforto. Antes, estava do outro lado como cidadão comum. Tive um ato de força e coragem em prol de Niterói. Deixei de ser questionadora para ser política.

AT – Em abril, você se lançou como pré candidata a vereadora pelo PMB. Em que momento, mesmo sendo estreante na política, você resolveu que ao invés de ser candidata a vereadora você seria candidata a prefeita?

Renata Esteves – A minha escolha por vir no PMB ainda como pré-candidata a vereadora é por inclusão da mulher. A participação da mulher na política ainda é baixa. Tenho uma boa atuação na área do Direito. A nossa presidente nacional, Suêd Haiddar, fez esse convite para ser candidata a prefeita. Sabia de todos os desafios, mas com propósito de fazer a mudança para Niterói, para você, niteroiense, que quer o novo.

AT – A sua chapa é “puro sangue” do mesmo partido e do mesmo sexo feminino, você tem como vice uma mulher, a Soraia Catarino. É uma obrigação do partido? Fale um pouco da ideologia e diretrizes do PMB.

Renata Esteves – Para entrar na política a gente precisava fazer história. Foi uma escolha com as executivas Nacional e Estadual uma chapa puro sangue feminina. Mas embora seja um partido da mulher, com duas mulheres vindo na chapa, não temos uma bandeira feminista, mas uma bandeira pela inclusão da mulher. Inclusão em 360, no mercado de trabalho, na sua qualificação para ser uma ajudadora do lar, tirar essa carga do pai de família ser o único responsável financeiramente pela família. Minha vice também tem a bandeira da inclusão das pessoas autistas. Unimos forças e arregaçamos a manga para fazer um bom trabalho.

AT – Qual sua estratégia para buscar o eleitorado feminino em Niterói, já que a cidade tem mais mulheres que homens? São 225.671 homens e 261.656 Mulheres segundo o último censo.

Renata Esteves – É um percentual de 58% do eleitorado. Nossa estratégia é que mulheres votem em mulheres, no sentido de proporcionar uma política que busque a mudança. A mulher pode chegar onde ela desejar. Cito meu exemplo. Sou dona de casa, mãe, esposa, advogada, empresária, empreendedora e agora política. Quando nos colocamos como representante, é para ser essa voz.

AT – E como atrair o voto masculino? Você acha que vivemos uma cidade machista?

Renata Esteves – Voltando à questão da inclusão. Esse pai de família que consiga ver na sua esposa que ela pode galgar um espaço no mercado de trabalho. Muitas mães não trabalham por falta de emprego ou creche. Que esse eleitorado consiga entender que as oportunidades essa mulher vai trazer qualidade de vida, será agregadora.

AT – Na área social, quais seus projetos para a cidade?

Renata Esteves – Desenvolvo um trabalho há anos. Fui criada nos princípios cristãos. Trabalho social envolve Educação, Cultura e Esporte. Quero que Niterói se torne uma cinco cidades de maior qualidade de vida do Brasil. Isso conseguiremos tendo gestão com inclusão.

AT – Explique para os eleitores sobre o programa de empreendedorismo feminino que você quer implementar, o “Empreendedora Sorriso”.

Renata Esteves – Quero me tornar referência. Vamos criar esse polo de empreendedorismo. Estamos falando de muita gente que perdeu o emprego na pandemia. Quando a gente fala de volta a sorrir é trazer oportunidades. Tantas pessoas em Niterói têm talento. Desburocratizar essa parte para que as pessoas consigam trabalhar na legalidade. Eu sei o quanto é burocrático legalizar uma empresa, ser microempreendedor ou MEI e trabalhar de uma forma legal.

AT – A pandemia do coronavírus colocou em evidência um problema que afeta o país todo: o desemprego. Em Niterói, a cidade perdeu mais de 7.700 postos de emprego. Por quanto tempo você acredita que haverá consequências na economia da cidade? E como retomar o crescimento?

Renata Esteves – Meu domicílio profissional é no Centro de Niterói. É triste nós andarmos e ver tantos estabelecimentos de mais de 20 anos fechados. Quando uma empresa fecha suas portas não é só o empresário que decreta sua falência, mas também vidas que estão perdendo essa oportunidade. Não sabemos a data limite do novo normal para a economia crescer. As pessoas que recebem o benefício, têm uma data para acabar. Tudo tem que ser pensado para atender essas pessoas que necessitam de emprego. Temos que fazer um plano de transição. A chegada da vacina não vai trazer a normalidade. Fazer um cadastro de vagas e capacitar essas pessoas. Queremos que essas pessoas deixem de receber o auxílio para ter carteira assinada.

AT – A sua vice é terapeuta comportamental especialista em pessoas com autismo. Vocês têm algum projeto para atender pessoas nessa área como a Clínica Escola do Autista que tem no município de São Gonçalo?

Renata Esteves – Dentro do meu plano de governo temos um estudo de viabilidade de criações de centros de referência. Um dos centros será em prol das pessoas portadoras de deficiência. Quando você cria um centro você engloba quem precisa. Aqui em Niterói não existe esse centro de referência. Temos um trabalho também para a mulher. A Alzira Reis se tornar um centro de referência desde o pré natal até o nascimento. Tenho ouvido a população das comunidades nas minhas andanças. Nas clínicas da família a população é atendida por um clínico geral. Na de Itaipu, uma mãezinha me relatou que não foi encaminhada para nenhuma centro de imagem. A família se cotizou para pagar um exame. Não há especialista nessas clínicas da Família. Ela disse ainda que esse clínico escutava o neném dela com um copo porque o aparelho estava quebrado. Em pleno Século XXI. O município tem que oferecer um pré natal digno.

AT – Caso eleita, sendo novata na política e com um partido novo, sem representantes no Estado e em Brasília, como buscar os recursos públicos para investimentos na cidade? Como administrar com a possível queda na receita dos royalties?

Renata Esteves – Se perdermos receita de royalties, teremos que fazer um estudo de viabilidade. Teremos cortar custos, otimizar, diminuir as secretarias. Niterói tem uma renda que dá para trabalhar. É colocar pessoas técnicas e capacitadas para trabalhar.

AT – Já existia uma crise econômica no país antes da pandemia. Há muita reclamação do valor alto do IPTU da cidade e as multas e juros cobrados. A senhora pretende dar algum tipo de anistia, ou modificar o valor atual cobrado?

Renata Esteves – Posso falar com propriedade sobre IPTU. A reclamação é que é um imposto muito caro e há ruas sem asfalto que constam como asfaltadas na Prefeitura. Meu objetivo é trazer o cruzamento de dados. Tudo tem que ser informatizado para o cidadão ter o conhecimento dos gastos. A revolta do cidadão é pagar caro pelo IPTU e não ver retorno.

AT – A cidade cresceu e cresce, tanto no asfalto como em comunidades carentes. Qual seu projeto para o desenvolvimento da cidade tanto na área de mobilidade como na área social?

Renata Esteves – É um problema antigo em Niterói. O túnel que vem da Região Oceânica minimizou o problema, mas não resolveu. Outro problema são os sinais da Roberto Silveira, abrem e fecham muito rápido. Recebemos um projeto da UFRJ, que é o Megalev. Já tem um protótipo e é mais viável economicamente. O trajeto será de Charitas até o Centro.

AT – A manchete de A TRIBUNA de ontem fala sobre o crescimento de milicias na Região Metropolitana. Qual sua estratégia para a área de segurança?

Renata Esteves – Tudo que for positivo, como o Niterói Presente, por exemplo, vamos dar continuidade e aperfeiçoar. No nosso plano de governo temos o Zona Segura, projeto que vem do Rio Grande Sul, com informatização. É trabalhar mais a prevenção do que o pós delito.

AT – Concorda com a quantidade de secretarias? Eliminará algumas em caso de vitória?

Renata Esteves – Temos que entender porque tem que ter 52 secretarias. Não pretendo ter esse número. Meu objetivo é realmente enxugar. Com essa economia, os recursos poderão ser destinados para projetos de saúde, educação, mobilidade urbana.

AT – Qual recado gostaria de deixar para os eleitores?

Renata Esteves – Quero falar de educação. Uma das maiores reclamações é a falta de vagas. Para construir tem a demanda financeira. Há creches e escolas particulares que têm vagas. Por que não fazer esse casamento? Quero fazer convênios com essas escolas, que terão incentivos fiscais por aderir ao convênio. Temos que ver a questão do transporte escolar das crianças que vão sozinhas para a escola. Temos que nos atentar a essas crianças que andam 1h até o colégio. A Educação é o trajeto também. As mães podem ir trabalhar com a certeza de que seus filhos estão indo para a escola em segurança. Quero terminar falando do amor que sinto por Niterói. O meu desejo como cidadã é que nossa cidade volte a sorrir.

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