A missão de quem tem o dom de transformar vidas

“A missão do professor é de transformar vidas. É a visão de mostrar um futuro melhor, um caminho, novos horizontes”. A interpretação da professora Rosângela Comunale, de 50 anos e 21 deles de magistério (entre rede pública e privada), é o desafio da profissão, que nessa quinta-feira, dia 15, é lembrada também como Dia do Mestre. Professora de língua estrangeira, ela explica que sua relação com o ensino é de encantamento, uma espécie de dom.

“É muito bacana você presenciar a transformação de vidas”, afirmou, dizendo que é gratificante reencontrar ex-alunos que atualmente são profissionais de nível superior.

“Cheguei a um ponto que quando encontro um ex-aluno na rua, é uma gratidão imensa, saber que estão bem colocados no mercado de trabalho, e que a gente faz parte da história deles. Nesses 21 anos, eu mesma passei por bastantes diversidades em relação ao cargo”.

Rosângela explica que já exerceu as funções de professora, coordenadora, diretora-geral e agora diretora adjunta no Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Sousa – Intercultural Brasil-China, em Charitas, onde está há 2 anos e se diz realizada.

“Estou até aprendendo mandarim atualmente. Estou super satisfeita e tranquila. Estou onde gostaria de estar. Sempre quis trabalhar nesse colégio. É minha paixão”, exalta.

Para a professora, além da difícil missão de ser uma espécie de extensão da família do aluno, ainda surgem novos desafios na caminhada do educador, como o ano atípico, em tempos de pandemia.

“Essa missão se mostra mais árdua, porque muitos alunos correm o risco de se perder pelo caminho, por conta do ensino remoto, de ter que dividir o computador com alguém. Há muita diversidade no nosso dia a dia. A gente tem feito um trabalho de formiguinha. De ligar para esses alunos, tentando saber porque está desanimado, porque não está entrando na plataforma, falando com o responsável, mostrando que o ensino remoto ainda é um caminho mais seguro”.

De acordo com Rosângela, o Dia do Professor será marcante, porque o mestre está tendo de se reinventar e os alunos também, com a classe passando por uma transformação.

“Tenho colegas que não gostavam fazer filmagens de aulas e que agora estão se transformando em youtubers. É um desafio, e estamos conseguindo vencer”, finalizou.

Quinze anos mais jovem, o professor de literatura Antônio Nogueira, de 35 anos e 3 de magistério, é daqueles que perceberam que a carreira o abraçou desde o Ensino Médio. Formado há 10 anos em Letras ele é professor da rede pública e de um curso preparatório em Araruama, na Região dos Lagos.

“Essa escolha veio desde o Ensino Médio, quando comecei a formar a minha mente. Gostava de ensinar os colegas no Ensino Fundamental. Sempre gostei de Literatura e História. Prestei vestibular para letras, segui a carreira. Depois de um ano trabalhando para o município, comecei a dar aulas em colégios particulares”, afirmou, deixado claro que a busca pelo conhecimento não pode parar.

“No ano passado, passei para realizar o mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF) para Literatura Brasileira e Teoria da Literatura. Eu amo aquilo que faço. Existem adversidades com a carreira de professor. Apesar disso, temos um ganho quando gostamos daquilo que fazemos, quando o aluno apreende. Fazemos o papel da família. Preenchemos essa lacuna”, comemora.

Casado e com um filho de 15 anos, o professor afirmou ainda que se sente melhor fazendo o que gosta, na comparação com uma outra função com retorno financeiro. “Com a pandemia da Covid-19 estou usando uma plataforma para gravação de aulas no curso preparatório, através de um canal de internet”, explica, acrescentando que seu filho não pretende seguir seus passos, preferindo seguir a carreira militar.

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