A luta para salvar um ícone de Niterói

Geovanne Mendes

Tentar se reerguer para sobreviver, este é o lema dos funcionários que hoje estão à frente do restaurante mais boêmio da cidade, o Steak House. Os cerca de 70 funcionários, todos com salários atrasados, lutam e se revezam diariamente para manter a point aberto, uma extensão de suas casas, como eles mesmo dizem.

Comprar carne, frutas, bebidas, renegociar com todos os fornecedores, essa é a nova função pra quem antes só se preocupava em atender bem os cerca de 400 clientes que passavam diariamente no estabelecimento. Funcionário há 21 anos, Luciano Ferreira Nobre, hoje gerente do local, é o líder dos funcionários dentro e fora do horário comercial.

“Não é fácil. Temos que ajudar o psicológico dos colegas que estão depressivos e com medo de ter o seu trabalho, a sua fonte de renda fechada por causa de uma má administração”, comentou.

A rigidez na voz é típica de quem sabe o que diz. Segundo ele, a luz esta atrasada há três meses, assim como a água e o gás, essenciais para quem precisa servir pratos frescos e com qualidade.

“Está tudo atrasado, estamos fazendo vaquinhas, pagamos uma conta de luz, mas ainda é pouco. Precisamos da ajuda de todos, empresários, clientes e amigos. Não podemos e não vamos deixar o Steak House fechar às portas”, garantiu.

Entre uma conversa e outra, os clientes interrompiam a entrevista para pedir ajuda ao restaurante, carinhosamente chamado de “pé limpo”.
“Ajudem o nosso pé limpo se reerguer, eles não podem fechar as portas”, gritou um cliente

A crise
O fechamento pegou todos de surpresa, quando na sexta-feira passada o restaurante permaneceu de portas fechadas. Segundo os funcionários, o proprietário, Elton Luiz Furriê, simplesmente desapareceu, deixando trabalhadores sem seus pagamentos, aluguel atrasado e fornecedores sem uma resposta sobre o futuro do estabelecimento.

“Já tentamos contato com a família dele e nada. O aluguel da loja é de R$ 30 mil por mês, são 200 metros quadrados de loja e tudo isso agora ficou na nossa mão para resolvermos”, explicou Luciano.

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