A lambança de Eric Clapton

Por Luiz Antonio Mello

Músico lendário, um dos maiores guitarristas de todos os tempos, o inglês Eric Clapton, como se sabe, turbinou a campanha boçal de oposição a vacinação contra  Covid 19, que está começando a livrar a Humanidade da pandemia. A doença já matou mais de 5 milhões de pessoas no mundo e mais de 550 mil no Brasil.

Ele agora reclama que ninguém mais o procura. “Tentei entrar em contato com outros músicos mas simplesmente não tenho mais notícias deles. Meu telefone não toca com muita frequência. Não recebo mais tantas mensagens de texto e emails”, disse ele ao canal Oracle Films.

Pode ser o efeito bumerangue. Afinal,  há semanas, Clapton de 76 anos disse que não irá tocar em locais que pedem a carteirinha de vacinação. “Eu não vou me apresentar em nenhum palco onde haja um público discriminado presente. A menos que haja providências para que todas as pessoas compareçam, eu me reservo o direito de cancelar o show”, arrematou.

A declaração de Eric Clapton, que pode estar induzindo muita gente de cabeça fraca a se atirar no precipício dos “sem noção”, gerou imediata reação.

A ex-mulher do saudoso guitarrista Eddie Van Halen, a atriz Valerie Bertinelli, postou uma foto antiga em que aparece ao lado do seu ex-marido (morto ano passado) e de Eric Clapton, escrevendo: “Uma vez otário, para sempre otário”. O seu post foi partilhado por Alex Skolnick, guitarrista dos Testament, que a incentivou, escrevendo: “Dá-lhe, Val”.

Eric Clapton disse ter sofrido com reações “desastrosas” no corpo após receber uma dose da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19, segundo a revista americana Rolling Stone.

Ele escreveu um texto para o arquiteto ativista anti-lockdown, Robin Monotti Graziadei, que a compartilhou em seu Telegram, com permissão de Clapton.

Na carta, o guitarrista afirma que, após a primeira injeção, em fevereiro, teve imediatamente reações graves que duraram dez dias. Aproximadamente seis semanas depois, ele recebeu a segunda dose do imunizante e teve novas reações.

“Desnecessário dizer que as reações foram desastrosas; minhas mãos e pés estavam congelados, dormentes ou queimando, e ficaram praticamente inúteis por duas semanas. Eu temi nunca mais tocar (eu sofro de neuropatia periférica e nunca deveria ter chegado perto da agulha). Mas a propaganda dizia que a vacina era segura para todos”, contou o músico.

Como se sabe, há  reações à vacina da Oxford AstraZeneca em algumas pessoas, mas em geral de apenas um dia. Dor no corpo, alguma febre, mal estar. Ou seja o que Clapton diz que aconteceu com ele é muito raro, mas não se sabe se os imbecis concordam que pior do que reação a vacina é morrer de Covid-19.

Em muitos países, Brasil inclusive, tem sido uma luta convencer muita gente da necessidade de tomar a vacina. Não por elas, mas, como até os mais idiotas sabem, vacinas para imunizarem a todos precisam ser aplicadas em pelo menos 75% da população para que ocorra o chamado “efeito de rebanho”, uma blindagem coletiva contra o vírus. Após dedicarem suas vidas à ciência a “imunidade de rebanho” foi comprovada por Oswaldo Cruz (1872-1917), Emílio Ribas (1862-1925), Louis Pasteur (1822-1895) entre outros grandes nomes da ciência.

É claro que se as consequências fossem apenas pessoais e não coletivas, as pessoas teriam o direito de não tomar vacina nenhuma ou até de beber veneno se quiserem.

Mas a opinião de um astro com a visibilidade de Eric Clapton pesa muito porque dá munição aos déspotas, parasitas sociais que combatem a vacinação. Além disso, o que as chamadas celebridades dizem reverberam por aí, influenciam pessoas com Q.I. de codorna que na falta de opinião própria correm atrás de manadas que se jogam em abismos.

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