A hora e a vez do setor pesqueiro do Rio

Wellington Serrano –

Terceiro maior produtor de pescado de água salgada e doce do País, com 100 mil toneladas, correspondentes a 9% da produção nacional, de 976.081 toneladas, o Rio de Janeiro vai ganhar novos incentivos para o incremento do setor, atualmente responsável pela geração de cerca de 200 mil empregos diretos e indireto.

A disponibilidade de R$ 800 milhões para o Projeto de Inclusão que vem das Águas (IVA) nas áreas da pesca industrial e artesanal e para a aquicultura está sendo formalizada pelo presidente da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), Vicenildo Medeiros, que se limitou a falar dos parceiros, mas disse que conseguir a aprovação do projeto junto a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), órgão ligado à ONU, foi uma grande conquista. “É um projeto audacioso e inovador conseguido durante viagem a Roma, junto com o secretário de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Estado, Eduardo Lopes (PRB-RJ), e o professor Helvio Costa, que me ajudou a escrevê-lo”, declarou.

Segundo o presidente da Fiperj, conhecer os problemas e sofrimentos dos trabalhadores do interior do Estado de perto foi necessário para dar conteúdo ao projeto aceito pela ONU. “Com muito trabalho quero conquistar o voto de confiança e de credibilidade para os segmentos da pesca artesanal e aquicultura, a fim de que possam dar novos passos para o desenvolvimento do setor”, destacou Vicenildo. Para ele, esses recursos são fundamentais para a reorganização da cadeia produtiva pesqueira do Rio de Janeiro, que possui 600 quilômetros de costa.

Segundo Vicenildo, a falta de apoio do governo federal, além da falta de um Ministério da Pesca comprometem o setor. “Hoje, temos uma Secretaria Nacional Especial, mas precisamos de uma política para o incentivo do pescado, que é muito deficitária”, disse ele ao enfatizar que, no Rio, a Fiperj vai incentivar o produtor para aumentar a produção.

“Nós vamos fazer algumas campanhas de incentivo para que o consumo no Rio de Janeiro aumente mais, não só em período de Semana Santa, mas durante o ano todo. Esta é uma tarefa difícil, pois para concorrer com o comércio do frango, boi e do porco, precisamos de apoio do governo”, ressaltou.

POSTO AVANÇADO
Segundo Vicenildo, entre os planos de sua gestão está o da construção de um Posto Avançado da Fundação, em São Gonçalo. “Podemos ter até um escritório regional lá, mas a nova unidade será igual a de Maricá e possibilitará também a qualificação dos pescadores artesanais, através de palestras com profissionais do Fiperj, além de servir de base para emissão de documentações necessárias para os pescadores exercerem suas atividades”, afirmou.

Sobre o Terminal Pesqueiro, ele disse que existe uma série de entes públicos que está pleiteando o local, como a Prefeitura de Niterói e o próprio Governo do Estado. Afirmou que já falou desta possibilidade, mas no momento é preciso aguardar o resultado da liberação da licença junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) da dragagem do Canal de São Lourenço. “Na hora que o terminal, em algum momento, funcionar o benefício vai ser para a população como um todo, principalmente para os pescadores”, realçou.

Para Vicenildo, fazer o terminal funcionar é um sonho antigo da população de Niterói e do Governo. “Ali a gente tem uma área onde se tem muitas embarcações fundeadas e não dá para chegar nenhum tipo de embarcação por causa do calado e as dificuldades de acesso da BR-101”, concluiu.

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